Paulo WolfgangArlindo Porto e a soja, em Londrina. Depois, apoio ao trigoEnquanto o Ministério da Agricultura lança um plano nacional para diminuir as perdas na colheita da soja, e anuncia novas variedades de milho e de sorgo, lavradores que aguardam o plano da próxima safra de trigo, para decidir se plantam ou não este cereal, reclamam do atraso no anúncio de preços mínimos e de normas de financiamento. Na última quarta-feira, em Londrina, o Ministro da Agricultura, Arlindo Porto, afirmou que o Governo pretende estimular a triticultura.
‘‘O nosso desejo é que voltemos a ter produção suficiente, haja vista que nós colhemos apenas 35-40% do nosso consumo’’, disse Arlindo Porto à Folha Rural.
Sobre a aparente indiferença governamental ante a questão ‘‘é melhor o Brasil importar trigo do que ser auto-suficiente?’’, o Ministro afirmou: ‘‘Eu acho que o País deve ser auto-suficiente em tudo aquilo que puder ser competitivo. E o trigo é importante, nós temos que buscar essa competitividade.’’
Como exemplo do interesse do Governo no cereal, Porto informou que já foram comercializadas 870 mil toneladas - ‘‘e atingiremos um milhão de toneladas’’ - ‘‘que custaram ao Governo brasileiro R$ 35 milhões de subsídios ao produtor, para garantia de preço.’’
Plano de safraO Ministro Arlindo Porto e o Superintendente de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ubiramar de Lima, afirmaram que as medidas reivindicadas pelos lavradores para tomar decisão sobre o que plantar no inverno, serãso divulgadas em março. Os lavradores dizem que o preço mínimo eas normas de financiamento já deveriam ter sido anunciados.
Segundo o Ministro, ‘‘já na próxima semana’’, o Conselho Monetário Nacional ‘‘deve definir as normas de financiamento das culturas de inverno’’, e ‘‘naturalmente, o trigo é o carro-chefe das culturas de inverno.’’.
Ubiramar afirmou que as decisões devem ser tomadas na primeira quinzena do mês: ‘‘Agora em março nós vamos nos reunir com o pessoal dos ministérios da Fazenda e da Agricultura, para definir o plano da safra de inverno, da qual o trigo é uma das culturas que fazem parte. Isto quer dizer que o Governo já está atento e logo na primeira quinzena de março estes assuntos serão abordados.’’
ImprescindívelNa opinião do economista Paulo Magno Rabelo, Técnico do Departamento de Planejamento Econômico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil não pode deixar de produzir trigo. ‘‘Principalmente o Paraná, que além de ser o maior produtor brasileiro, produz o melhor trigo do País’’, observa.
No momento a Conab está trabalhando para chegar a uma decisão sobre o preço mínimo do trigo deste ano. Paulo Magno Rabelo aponta uma situação que deveria ser indutora do plantio de trigo este ano, e que precisa, em sua opinião, ser relatada aos agricultores: existe um quadro mundial de escassez que poderá elevar o preço da tonelada para valores iguais ou até superiores aos US$ 274 a tonelada do trigo argentino em maio do ano passado.
Rabelo diz que o preço mínimo precisa ser definido já, ao mesmo tempo que outras medidas de política para a safra tritícola. Ele quer também um movimento para esclarecer os agricultores a respeito das possibilidades do trigo no mercado mundial e no Mercosul, para que os agricultores tenham mais elementos para analisar e lastrear sua decisão a respeito do que vão produzir.
Ele sugere uma decisão urgente sobre a política tritícola para esta próxima safra, porque os próprios agricultores e cooperativas têm revelado preocupação, ao telefonarem pedindo informações sobre o preço mínimo e as normas de financiamento.

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