Curitiba - Os pecuaristas paranaenses que quiserem preservar ou ampliar os contratos de exportação de carne bovina, que já rendem ao Estado em torno de US$ 60 milhões anuais, devem se apressar e providenciar a rastreabilidade de seus rebanhos. A Secretaria da Defesa Sanitária Agropecuária do Ministério da Agricultura antecipou o período de identificação do animal para 40 dias antes do abate no frigorífico.
Com isso, o Ministério dá um aperto no setor e promete ser rigoroso na fiscalização do Sistema de Identificação de Bovinos (SISBOV), que deverá estar definitivamente implantado em todo o País até 2005.
No Paraná, além das certificadoras da iniciativa privada que já fazem a identificação dos animais, os pecuaristas poderão contar com a ajuda da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), que também se lança como uma certificadora.
O lançamento do programa piloto de rastreabilidade será feito pelo secretário Orlando Pessuti, no dia 4 de julho, em Guarapuava. Em seguida será estendido para Londrina, ainda em caráter experimental. Depois de avaliado o programa nesses dois municípios será estendido para todo o Estado.
A rastreabilidade do rebanho bovino envolve a identificação de todos os animais, desde quando nascem até o abate. A ficha cadastral do animal vai conter toda a sua vida, como alimentação, doenças, que tipo de tratamentos foi submetido, quantas vezes foi comercializado e quais foram os proprietários, até chegar ao abate.
A identificação será iniciada com a instalação de um brinco na orelha do animal que terá o número do cadastro ou um código de barras, que vai permitir o acesso da ficha cadastral no computador. O comprador europeu, que exige a rastreabilidade para comprar carne de bovinos ou de bubalinos quer ter acesso a todas essas informações, on-line.
O diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria da Agricultura, Felisberto Baptista, esclarece que o programa de rastreabilidade vem sendo instalado por etapas, desde o início do ano. Durante a realização da campanha de vacinação contra febre aftosa, em maio, foram recadastradas todas as propriedades. De um universo de 190 mil propriedades que contém animais no Estado, já estão recadastradas 162 mi propriedades, sendo que o restante são pequenas chácaras que não têm mais animais ou têm poucos animais.
A etapa seguinte foi a informatização dos cadastros e a adaptação do software desenvolvido pela Celepar e Secretaria da Agricultura, que vai permitir o gerenciamento do controle da identificação dos animais e do cadastro das propriedades. A emissão de Guias de Trânsito Animal (GTA) foi integrada ao sistema de identificação e pode ser emitida on-line, com todas as informações que permitem a rastreabilidade.
Baptista acredita que o sistema poderá ser concluído à medida que os proprietários de animais procurarem a Secretaria para emissão de GTA. ''Ao fazer o pedido, automaticamente estarão incluídos no sistema''. Baptista acredita que pelo menos 98% do rebanho de bovinos e bubalinos do Paraná, avaliado em 9,5 milhões de cabeças, já foi cadastrado.
O custo do serviço para o criador vai ficar em torno de R$ 2,00 por brinco, ''por enquanto'', salienta Baptista. A Secretaria não pretende cobrar os custos das informações porque entende que esse trabalho já faz parte da Vigilância Sanitária Animal executada no Estado. Mas ele não descarta que a prioridade desse atendimento será o pequeno e médio pecuarista.
Os pecuaristas que tiverem pressa no serviço de identificação deve procurar uma certificadora da iniciativa privada, cujo trabalho é muito importante e vai complementar o trabalho que será executado pela Secretaria da agricultura, disse Antonio Poloni, que atualmente desempenha a função de diretor executivo do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária (Fundepec).
Poloni organizou uma visita de técnicos em rastreabilidade à Europa, que constatou que o banco de dados que serve de base para o trabalho, fica nas mãos dos governos. Daí a Federação da Agricultura e do Abastecimento (FAEP), apresentou essa proposta à Secretaria da Agricultura, que aceitou o desafio.

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