Ministério alerta contra praga
Ela ataca feijão, soja, algodão e frutas como melão e melancia. O Ministério está divulgando o Alerta Fitossanitário contra o inseto, que infesta diversas culturas em todo o País. É difícil o controle químico e biológico dessa praga, que chega a causar perdas calculadas entre 30 e 70 por cento, como acontece por exemplo com o algodão da Bahia. Além disso, a mosca propaga-se por área extensa.
Para discutir o problema da praga, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) patrocinará o Encontro Internacional sobre a Mosca-Branca (Bemisia argentifolli), de 4 a 6 de novembro. Participarão produtores, pesquisadores e extensionistas.
PrejuízosDesde que entrou no Brasil, em 1991, a mosca-branca - praga que atinge culturas no mundo inteiro - causou prejuízos avaliados pelo Ministério da Agricultura em mais de R$ 1 bilhão. Como se trata de um praga mundial, deverão participar do Encontro especialistas dos Estados Unidos, México, Europa e Oriente Médio, além do Brasil.
A Bemisia argentifolli é também chamada de biotipo B da Bemisia tabaci, praga mais comum no Brasil, que tem causado danos esporádicos às culturas de algodão e feijão. Estudos moleculares e de comportamento levaram os pesquisadores a concluir que não há cruzamento entre as duas espécies e, a partir daí, a Bemisia tipo B passou a ser denominada de Bemisia argentifolli ou simplesmente mosca-branca-da-folha-prateada.
Enquanto a Bemisia tabaci sempre apresentou surtos esporádicos, a mosca-branca-da-folha-prateada tem atingido até 100 por cento das culturas que ataca.
É uma das pragas do final do Século. Se não nos prepararmos para combatê-la, a agricultura mundial terá sérios prejuízos, observa Regina Vilarinho, entomóloga (bióloga especializada em insetos) do Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen, unidade de pesquisa da Embrapa, em Brasília), citada pela Agência Brasil.
Em junho do ano passado, recorda a Agência Brasil, Regina participou do mapeamento das áreas atingidas pela mosca-branca-da-folha prateada, junto com dois pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o chefe do Departamento de Proteção e Controle de Pragas (DPCP) do Ministério da Agricultura, Odilson Luís Ribeiro e Silva. Eles encontraram os efeitos do inseto no Triângulo Mineiro, onde foram registrados quase 100% de perdas no jiló, e também na maioria dos Estados da região Nordeste, onde se encontra a maior área plantada de fruticultura do País.
HospitaleirasDepois de identificada, a mosca-branca foi detectada em plantas hospedeiras tais como tomate, melão, melancia, uva, algodão e em plantas invasoras no Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Paraíba e também na região do Submédio São Francisco. No Mato Grosso do Sul o prejuízo nos plantios de pimentão, tomate, pepino e repolho atingidos pela praga foi quase total. No Distrito Federal os danos foram causados também no tomateiro.
Segundo observação dos técnicos ouvidos pela Agência Brasil, só o Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não registraram surtos da doença. Acredita-se que a mosca-branca tenha entrado no Brasil pelo Estado de São Paulo, em plantas ornamentais infestadas. A planta ornamental hospedeira mais comum da mosca-branca é a Poinsetia, muito usada em arranjos e jardins, e também o crisântemo.
DanosOs danos causados pela mosca-branca podem ser classificados como diretos e indiretos. Primeiro, registra- se uma quantidade elevada (chamada de fitotoxia) de indivíduos da espécie. Depois da terceira geração, o número é expressivo e os indivíduos passam a espalhar o vírus pelas plantas. As hospedeiras, a partir daí, apresentam debilidade e murchamento das folhas e frutos. Em 20 dias, a área infectada aumenta progressivamente.
Além disso, o pulgão elimina uma substância açucarada que induz ao crescimento de fungos saprofitas. O aparecimento desse fungo é marcado por manchas escuras que se parecem com fuligem, a fumagina. Indiretamente, amosca-branca provoca queda na produtividade, redução do tamanho dos frutos e até a perda total.
HospedeirasSegundo a entomologista Regina Vilarinho, a solução para eliminar a mosca-branca é deixar de plantar a hospedeira, depois da primeira colheita atingida, e mudar a cultura. Depois
de um ano, é possível voltar à cultura anterior.
No alerta fitossanitário, elaborado pela entomóloga e editado pelo DPCP, o Ministério da Agricultura faz as recomendações para o combate à praga:
podem-se usar agrotóxicos associados a inimigos naturais da mosca-branca. Na aplicação de produto, o uso de mascara é fundamental. O produtor deve ficar atento para não exagerar na quantidade, acrescenta a Agência Brasil. A mosca-branca é resistente a produtos químicos e, ao aumentar a dose no intuito de eliminá-la, o produtor estará afetando sua produção, além de causar danos ao meio ambiente.





