Miriam Karam
De Cascavel
Especial para a Folha Rural
A diversificação mudou a vida do produtor Saulo Pegoraro, de Boa Vista da Aparecida, município a 70 quilômetros de Cascavel, no Oeste do Paraná. Cansado de produzir hortaliças numa área de apenas um hectare, que mal dava para o sustento da família, Pegoraro começou a produzir húmus, com o cultivo de minhocas, a partir de 1995, e hoje garante não só o orçamento familiar, mas também emprego para mais seis pessoas. Ele calcula que outras 20 pessoas, entre fornecedores e prestadores de serviço, estejam integradas no negócio.
Do húmus ele passou para a produção de substrato para cultivo de microculturas, em que além do húmus entram carvão, turfa e outros ingredientes. Pegoraro instalou um minhocário, em um barracão com mil metros, mas também produz húmus em canteiros externos, que somam outros dois mil metros.
Pegoraro conta que a partir do húmus de minhocas conseguiu reduzir o tempo de decomposição do material orgânico utilizado na propriedade, como o esterco de bovinos e aves para 60 dias, ‘‘enquanto antes levava meses para o material decompor-se’’. Além disso, afirma, o processo de utilização do húmus reduz a acidez da terra e aumenta o potássio em até 11 vezes, ‘‘o que melhora o desempenho do produto’’.
As minhocas garantem ao agricultor uma renda de R$16 mil por mês, com margem de lucro que varia de 15% a 20%. Ele produz 250 toneladas de húmus mensalmente. Pegoraro prepara ainda outras 15 toneladas de terra para jardim e floreiras, que oferecem um grande período residual. ‘‘Isto significa que o material pode ser usado por longos dois anos. Só é necessário, a cada seis meses, repor a vigésima parte da terra, para renová-la.’’

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