Mineralização correta reduz tempo de abate
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sexta-feira, 07 de março de 2003
Érika Pelegrino<br> Reportagem Local 
A suplementação alimentar adequada pode reduzir em até 37,5% o tempo necessário para o boi ir para abate. A informação é do professor de nutrição animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Unesp de Botucatu (SP), Otávio Campos Neto. Segundo ele, é importante fazer a mineralização correta de acordo com o estado fisiológico do animal, tanto na época das águas (chuvas) quanto na época da seca (inverno).
Campos Neto, que esteve no Paraná ministrando palestra para pecuaristas de Rolândia, Arapongas e Apucarana, explica que 90% da produção de carne no Brasil é produzida em pastagens. A mais disseminada é a braquiária. Esta forragem, de acordo com o professor, ''tem massa verde grande, é resistente ao pisoteio, mas é deficiente em nutrientes proteínas, energia, minerais e vitaminas''.
Na época das águas, de acordo com Campos Neto, estas forragens mantêm um nível adequado de proteínas e energia, o que permite que o gado engorde 500 gramas ao dia. Mas apresenta deficiência na composição mineral fósforo, cobre, cobalto, selênio e todos os macro e micro elementos minerais. Assim, no período de chuvas, é importante fazer a mineralização, com uso de sal mineral (cloreto de sódio) associado aos macro e micro elementos minerais.
O fósforo é o fator mais limitante da pecuária no Brasil, segundo Campos Neto. A dosagem adequada de sal mineral a ser dado como complemento à pastagem, depende da necessidade fisiológica do animal se ele está em crescimento, lactação, engorda e do tipo de capim.
Na época de seca/inverno, as forragens perdem em quantidade e qualidade, ficando pobres tanto em minerais quanto em proteínas e energia. Neste período o animal pode perder de 200 gramas a 300 gramas por dia. A complementação alimentar deve ser feita com sal mineral protéico. Este sal é adicionado com farelo de soja ou algodão para suprir a deficiência de proteína das forragens e de milho, para suprir a deficiência de energia.
De acordo com Campos Neto animais que não recebem suplementação adequada podem demorar quatro anos para chegar ao ponto de abate. Já a suplementação correta altera este prazo para 2,5 anos a 3 anos.
Segundo o professor, esta é uma prática acessível aos produtores, pois não depende de grandes investimentos. A tecnologia necessária se limita a um cocho adequado e assistência técnica, que pode ser dada tanto pelas indústrias de sais minerais quanto pelos institutos de pesquisa.


