A produção de carne sob regime exclusivo de pastagem apresenta pontos de estrangulamento devido a uma série de variáveis, entre elas a deficiência nutricional e o manejo inadequado do pasto, principalmente no período da seca.
‘‘Hoje o rebanho bovino criado a pasto tropical não consegue obter das gramíneas, durante o ano todo, nutrientes essenciais (proteína, energia, minerais e vitaminas) para realizar com sucesso suas funções reprodutivas e produtivas’’, garante o professor da Universidade Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia/UNESP, de Botucatu (SP), Otávio Campos Neto.
Só com orientação De acordo com o professor, a suplementação mineral pode fornecer níveis nutricionais adequados, mas deve ser feita de acordo com o tipo de pastagem, época do ano e, principalmente, estado fisiológico do animal (cria, recria ou engorda, e outros). Experimentos realizados por Campos demonstraram que o retorno econômico da suplementação está em torno de R$ 5 a R$ 6 para cada R$ 1 investido.
Durante o período seco, segundo Otávio Campos, os animais que mais sofrem são as vacas em gestação ou lactação, bezerros desmamados, novilhas e novilhos em crescimento, vacas secas e os bois de engorda, por ordem de exigência.
No inverno, de acordo com o professor Campos, a falta de chuva e a redução da luminosidade, típicos do período, diminuem o crescimento e a fotossíntese das plantas forrageiras e há redução dos nutrientes. Há também aumento de fibra bruta com redução de digestibilidade da pastagem. O bovino reduz o consumo da matéria seca para 1,5 a 1,7% por dia de seu peso vivo. No período das águas esse consumo é de 2 a 2,5% do peso vivo do animal.
Volumoso é importante O uso da suplementação pode aumentar ou facilitar o consumo da pastagem durante o inverno. Mas, segundo Otávio Campos, para que apresente resultados eficientes, de ganho de peso e fertilidade, e lucrativos, com retorno do capital investido, a suplementação deverá ser acompanhada de um volumoso que deve ser fornecido à vontade para os animais (pasto seco, feno em pé ou macega).
O fornecimento da mistura múltipla, por exemplo, melhora o trânsito alimentar no rúmen e o consumo de forragem em torno de 20%. O fornecimento do volumoso ajuda os nutrientes dos suplementos, para que possam atuar diretamente no crescimento da flora e fauna do conteúdo ruminal e, assim, digerir as forragens secas dos pastos, com resultados positivos na produtividade do bovino.
Por outro lado, avisa o professor, só o fornecimento de alimento rico em energia (milho, sorgo, ou outro), de forma isolada, não produz resposta no ganho de peso e fertilidade. ‘‘Com a escolha da suplementação mineral-protéico-energética, o pecuarista obterá como resultado melhor fertilidade, com redução do intervalo entre partos, maior peso dos bezerros à desmama, crescimento adequado de novilhos e novilhas e redução no tempo de abate, melhorando assim a taxa de desempenho no que se refere às pastagens, pois tecnologia não é sinal de custos elevados mas sim de resultados satisfatórios.’’
Pasto degradato As deficiências minerais nas pastagens, segundo Otávio Campos, têm se agravado muito nos últimos anos, pois não existe entre a maioria dos pecuaristas a prática de devolver para as forragens, através da adubação, os nutrientes que foram extraídos pelos bovinos.
Espécies forrageiras adaptadas aos solos de baixa fertilidade, como as brachiárias, apresentam níveis deficientes de minerais (sódio, fósforo, zinco, cobre, cobalto, magnésio, enxofre, iodo e selênio), reduzido nível de nitrogênio e baixa digestibilidade.
Em algumas regiões, dependendo da época do ano, forragens do tipo panicum apresentam valores nutricionais compatíveis com as exigências dos bovinos. Cabe então ao produtor de carne, avisa Otávio Campos, antes de fornecer o suplemento mineral conhecer a composição (mineral e protéica) das forragens que tem na propriedade, tanto no período das águas como na seca a fim de fazer uma suplementação compatível com a necessidade do rebanho.
Dieta diferenciada Considerando períodos de cria, recria ou engorda do rebanho há diferença na demanda nutricional de cada animal. De modo geral, segundo Otávio Campos, as pastagens de brachiárias decumbens apresentam um valor médio de 0,13% de fósforo no período de chuvas, ou seja, 1,3 gramas de fósforo por quilo de matéria seca de capim.
‘‘Se neste tipo de pastagem forem criados dois tipos de animais como novilhas no terço final de gestação e bois de engorda, por exemplo, observando as necessidades nutricionais de fósforo, a suplementação mineral não poderá ser a mesma. O nível de fósforo a ser fornecido através do sal mineral deve ser diferenciado’’, avisa Campos.
Bois de engorda, segundo o professor, têm uma exigência de fósforo no capim de 14,5 gramas/cabeça/dia. Normalmente no inverno, se houve um consumo de capim na base de 8,5 quilos de matéria seca/cabeça/dia e o nível de fósforo da forragem estiver em torno de 0,13%, haverá um consumo de fósforo através da pastagem de apenas 11,05 gramas e haverá um déficit de 3,35 gramas de fósforo/cabeça/dia.
Para suplementar animais com este nível deficitário de fósforo é necessário que o sal mineral tenha um mínimo de 65 gramas de fósforo por quilo de produto, para um consumo de 55 a 60 gramas/cabeça/dia. Se na mesma pastagem estiverem novilhas no terço final de gestação a diferença será maior ainda. Novilhas prenhas deverão ter uma suplementação mineral com no mínimo 90 gramas de fósforo por quilo de produto para um consumo de 65 a 70 gramas/cabeça/dia. ‘‘Fica improdutivo e antieconômico fornecer um mesmo suplemento mineral durante o ano todo, sem considerar a categoria do animal, o período do ano e o consumo do sal mineral.’’

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