Milho safrinha joga estimativa para cima
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sexta-feira, 12 de setembro de 2003
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Vânia Casado
Equipe da Folha
Curitiba - Este ano, a estimativa de produção do milho safrinha no Paraná foi reavaliada para cima quatro vezes. A primeira previsão de safra feita pelo Departamento de Economia Rural, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral), em fevereiro deste ano, apontava para uma produção de 4,2 milhões de toneladas.
Em setembro, faltando cerca de 15 dias para encerrar a colheita, a estimativa já reavaliada no final do mês passado aponta para uma colheita de 5,5 milhões de toneladas, um volume recorde no Estado.
Em seis meses a estimativa de produção foi corrigida em 31%, que correspondeu a um aumento de 1,3 milhão de toneladas do grão. Todo esse volume, não previsto em fevereiro, foi sendo incorporado nas revisões de safra em função do aumento de 20% na produtividade do milho safrinha. O rendimento previsto inicialmente foi de 3,4 mil quilos por hectare. Na última revisão, a produtividade avançou para 4,1 mil quilos por hectare.
Como o Paraná lidera a produção de milho no País, a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) também foi obrigada a reavaliar o desempenho da safra nacional.
As sucessivas reavalições de produção do milho safrinha no Paraná foram incorporadas pela Conab. A previsão inicial, feita em fevereiro deste ano, apontava para uma produção nacional de 7,3 milhões de toneladas e hoje a produção estimada para a cultura é de 11 milhões de toneladas e ainda não corresponde ao último resultado.
O fator de estímulo para o aumento da produtividade do milho safrinha foi o clima e a incorporação de tecnologia, atribuiu a engenheira agrônoma do Deral, Vera da Rocha Zardo.
Depois da primeira estimativa de safra para o milho safrinha, em fevereiro, a produção foi reavaliada para 4,6 milhões de toneladas, depois para 5,1 milhões de toneladas e finalmente para 5,5 milhões de toneladas.
Essa estimativa ainda será submetida a uma última reavaliação, que deverá acontecer no final deste mês com o encerramento da colheita no Estado, avisou a agrônoma.
A produtividade depende de clima e do investimento do produtor em tecnologia, ingredientes que refletem no crescimento da lavoura, lembrou a técnica.
Quando foi feita a primeira previsão para o desempenho do milho safrinha este ano, havia a expectativa de crescimento de área e dos resultados que poderiam ser obtidos com os avanços de tecnologia.
Na primeira reavaliação de área feita pelo Deral, confirmou-se o aumento de área plantada. A estimativa inicial previa um área plantada de 1,2 milhão de hectares e no final do plantio observou-se uma área ocupada de 1,357 milhão de hectares.
De acordo com a técnica, o aumento do plantio de milho na safrinha confirmou a tendência que vem se consolidando nas regiões Norte, Oeste e Centro-Oeste do Paraná de plantar soja no período da safra normal e deixar para plantar o milho no período da safrinha, que vai de fevereiro a setembro, apesar dos riscos do clima.
Na segunda reavaliação, os técnicos de campo responsáveis pelos levantamentos do desempenho da safra detectaram avanços na produtividade. Mas ainda havia a indefinição do clima em decorrência do inverno que havia pela frente. Não se sabia se iria ter geadas ou não, explicou a técnica. Mas o clima foi bom, as chuvas foram bem distribuídas do plantio à colheita e o aumento da produtividade se consolidou.
Quando começou a colheita em agosto, foi possível ver que o resultado do rendimento seria bem maior do que o estimado. A produtividade foi então reavaliada para 4,1 mil quilos por hectare, considerando algumas regiões cujos rendimentos são de 5 mil kg/ha.
Os técnicos do Deral não descartam nova e última reavaliação de safra porque as colheitas estão revelando altas produtividades, como está acontecendo na região de Cascavel, destacou Vera Zardo.


