Lavouras de milho safrinha localizadas em Cornélio Procópio, no Norte do Estado e Francisco Beltrão no Sudoeste, enfrentam problemas com a falta de chuva, informou a engenheira agrônoma Rossana Catiê Bueno de Godoy, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). Segundo ela, 25% das plantações de Cornélio já foram prejudicadas pela seca mas apesar disso, a situação não é considerada precupante. ‘‘As dificuldades estão localizadas apenas em algumas áreas específicas’’, disse.
No início da segunda quinzena de maio, 40% das lavouras de safrinha estavam em fase de enchimento de grãos e 35%, na fase de florescimento. Como esses estágios são suscetíveis a baixas temperaturas, a previsão inicial de colher 2,8 milhões de toneladas na segunda safra de milho de 2001 pode não ser alcançada. ‘‘Vai depender das condições climáticas’’, avaliou.
A área ocupada pelo safrinha no Paraná totaliza 926 mil hectares, o que indica diminuição de 15% a 20% com relação à área plantada no ano passado. De acordo com Rossana, a colheita deve iniciar em julho, atingindo seu pico nos meses de agosto e setembro.
PreçoEla informou que o atual preço do milho, cotado em R$ 7,42 a saca, está preocupando os agricultores. ‘‘Para remunerar o produtor, esse valor deveria ser, no mínimo, R$ 8,50’’, afirmou.
A agrônoma comentou que a cotação pode melhorar a partir de julho, pois o Brasil deve exportar milho no segundo semestre. Além disso, o setor da avicultura, que utiliza o produto como fonte de alimentação dos animais, vem apresentando aumento de consumo. ‘‘Mas o valor da saca não deve ultrapassar R$ 10,00’’, adiantou.
Catiê explicou que no mês de maio inicia-se a primeira entressafra de milho do ano, culminando com uma pausa entre o fim da colheita da primeira safra e o início da safrinha, cuja colheita intensifica-se a partir de agosto. ‘‘Além da segunda safra apresentar riscos, a oferta nesse período é responsável por 19% do abastecimento do cereal, o que instaura no mercado a incerteza de um quadro estável entre a oferta e a demanda para os próximos meses. Essa conjuntura acaba estimulando os compradores’’, analisou.
Exportações Com relação às exportações, citadas como fatores de sustentação das cotações do milho nos próximos meses, Rossana informou que já existem 2,3 milhões de toneladas contratadas até o mês de setembro, sendo que 80% a 90% desse volume é procedente do Paraná.
‘‘Até o dia 11 de maio foram embarcadas 1.339.426 toneladas pelo Porto de Paranaguá e 549.540 toneladas pelo Porto de Rio Grande’’, acrescentou. Os preços para exportação conforme o mês de entrega são: em junho, US$ 83,00 por tonelada; em julho, US$ 86,00 por tonelada e em agosto, US$ 89,90 por tonelada.
Colheita O produtor Américo Amano, de Cambé, plantou 30 alqueires de milho safrinha no início do ano e espera iniciar a colheita já na primeira quinzena de junho. Ele prevê obter 150 sacas e acredita que a produtividade não será muito boa porque havia plantado milho na safra de verão. ‘‘Milho em cima de milho não é bom’’, explicou.
Amano decidiu repetir a cultura para tentar ‘‘escapar do frio’’ e evitar prejuízos no caso de inverno muito rigoroso. Ele também plantou trigo em uma área de 60 alqueires. ‘‘Optei por duas culturas para dividir o trabalho das colheitadeiras e do trator, que serão utilizados em épocas diferentes para o milho e para o trigo’’, disse. O trigo começa a ser colhido no final de agosto.
Com relação aos preços praticados pelo mercado, ele concorda que os valores devem melhorar a partir de julho. ‘‘Tenho um contrato para receber no dia 30 de outubro que prevê R$ 8,50 por saca. Espero que o preço gire em torno disso.’’

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