Há aproximadamente três anos, o milho 2 safra tem despontado como principal concorrente do trigo nos campos paranaenses durante o inverno. Nesta safra, a área ocupada com o grão cresceu 13%, passando de 1,69 milhões de hectares para o recorde de 1,91 milhões de hectares. A estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral) é de que a produção sofra um incremento de 51%, totalizando 9,57 milhões de toneladas. No ano passado, o volume colhido foi de 6,33 milhões de toneladas, tendo sofrido uma quebra de 20% em razão da geada que atingiu as lavouras.
Na contramão do mercado do trigo, o do milho é o principal atrativo ao agricultor, tendo em vista os baixos custos de produção, a alta liquidez e os preços altos, na faixa de R$ 22 a saca. Já o trigo foi comercializado a R$ 25,12 a saca na média da semana entre 9 e 13 de abril. Segundo a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, existem regiões do Estado em que a área de produção de trigo é inexpressiva, como em Toledo e Cascavel. ''O milho safrinha já se consolidou como fonte de renda ao produtor e ainda há espaço para o crescimento da cultura, não necessariamente ocupando áreas de trigo'', afirma.
A agrônoma explica que, ao optar pelo milho safrinha, os agricultores precisam planejar antecipadamente a safra de verão, com o cultivo de variedades precoces de soja. O contínuo crescimento da produção de milho levanta a dúvida sobre a possibilidade de lotação dos estoques, mas Margorete argumenta que o aumento das exportações brasileiras do grão evita esse problema. ''O principal mercado do milho é o interno, mas o País se firmou como terceiro maior exportador de milho'', afirma.(M.F.)

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