Com uma tendência natural, perdendo espaço para a soja, o milho verão do Paraná retrai. Neste ano serão colhidas 4,6 milhões de toneladas, o que corresponde a uma queda de 16% frente à safra passada, que já havia sido reduzida.
Em relação aos preços, eles continuam nada animadores, mas com leve ganho em comparativo ao mesmo período da safra passada: de R$ 19,47 para R$ 20,73, uma elevação de 6,4%, nada empolgante. "O milho está em patamares bem fixados, estáveis, mas que podem ter uma reviravolta em 2016. Estamos com um dos maiores estoques de soja da história, o que pode tornar o cenário mais perigoso, tanto em relação ao preço de venda como de custo. Neste sentido, o milho pode se recuperar, inclusive no mercado internacional", explica o engenheiro agrônomo Fernando Muraro, analista de mercado da Agência Rural, que esteve em Londrina em um evento da Agro100.
Já a área de soja paranaense totalizou cinco milhões de hectares, alta de 3%. No Norte Pioneiro, a oleaginosa sentiu mais o aumento das temperaturas nesse início de ano. Mesmo assim, as produtividades sofreram incremento frente ao ano passado, de 2.976 quilos/hectare (kg/ha) para 3.282 kg/ha, alta de 10%.
No caso dos preços, o bom volume de soja em todo o mundo repercute no preço da saca paranaense, como estima Muraro. Se em janeiro do ano passado a saca fechou no Estado em R$ 61,18, este ano o valor do mesmo mês ficou em R$ 55,75, queda de quase 9%. "Os preços em dólar estão 30% menores em relação ao ano passado, já que a safra da América do Sul deve ficar em 160 milhões de toneladas, 13% maior do que em 2014. Agora, na boca da safra, os preços do mercado internacional têm sido pressionados. Por outro lado, a formação de preço das commodities depende do câmbio e, com a valorização do dólar frente ao real, isso acaba atenuando as perdas recentes do produtor", analisa o consultor.
No que diz respeito à exportação, a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que o País envie aos mercados compradores em torno de 46 milhões de toneladas podendo, assim, ultrapassar os Estados Unidos neste quesito. "A soja e o complexo soja, como um todo, podem patinar nos embarques, acontecendo de forma um pouco mais lenta, devido ao volume ofertado", relata o consultor da Scot Consultoria Rafael Ribeiro de Lima. (V.L.)

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