Foi um recuo de três dias. O mercado do milho esfriou na segunda, terça e quarta-feira, depois de uma boa fase que começou no final de outubro e que elevou os preços do mercado de lotes em 12,5% a 13,5%. As causas do desaquecimento do mercado estão relacionadas com quedas no mercado externo - o milho estava tendo forte influência das cotações internacionais - e problemas de embarque com atraso de navios, conforme apontou o analista Seneri Paludo. Naturalmente se a demanda interna estivesse aquecida esses fatores seriam neutralizados.
Analistas de mercado já estão discordando da previsão da Conab quanto à exportação. Eles acham impossível fechar o ano com 4,2 milhões de toneladas, como prevê o órgão do governo.
As causas da alta do milho continuam sendo aquelas divulgadas na Folha Rural desde outubro, notadamente o aumento das vendas no mercado internacional. De janeiro a outubro foram embarcadas 2,9 milhões de t. No relatório do Usda referente a outubro acrescentou-se mais um fator: a redução da safra de milho da China, que vai reduzir sua presença no mercado europeu.
Mas há um cenário interno, favorável, marcado pela previsão de aumento da demanda da avicultura e suinocultura.
O bom comportamento do milho - com exceção dos últimos dias - remunera o produtor mas é bom que se diga: está apenas repondo defasagens de um longo período de preços baixos que durou de janeiro a setembro.
Além disso, a safra de verão, já semeada, enfrenta respeitável aumento de custos. A FNP Consultoria e Agroinformativos trabalha com elevação média de 57% nos preços dos insumos, responsáveis por 60% do custo total.
Mas o salto nos valores do produto exportado é bom. Em dólar, de US$ 107 a US$ 108/tonelada em julho, as cotações passaram para US$ 125 a US$ 127/t na semana passada. Uma diferença em dólar de US$ 1,20/saca. Diferença em reais de R$ 3,50/saca. No mercado de lotes, em reais, R$ 17,50 ou US$ 5,90 a US$ 6,00 por saca.
Tendência - O mercado tende a retomar sua trajetória de alta, prevê o analista José D. Pitolli, consultado esta semana. Há quem diga que o mercado, na hipótese mais pessimista, vai sustentar os preços alcançados depois da alta de novembro. As razões, segundo eles estão no equilíbrio de oferta e demanda, conforme panorama apresentado na edição anterior da Folha Rural.

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