Milho ganha destaque na mesa
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A falta de hábito em algumas regiões e o ritmo da vida moderna - que reduz o tempo das pessoas dedicado à culinária - podem estar interferindo no consumo de milho e derivados. Com isso, o organismo humano deixa de aproveitar um alimento saudável e rico em nutrientes.
O Brasil, no ranking mundial da produção de milho ocupa o terceiro lugar, ficando atrás dos Estados Unidos e da China. Mas, quando o assunto é o consumo na alimentação humana, essa classificação é bem inferior. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho), a média de consumo é de 18kg/habitante/ano. O número representa apenas 9% da produção total.
O presidente da associação, Nelson Kowalski, diz que este consumo está muito aquém dos 63 kg/ano consumidos pelos mexicanos, por exemplo. Já os americanos, em um único item, os flocos de milho contidos nos cereais matinais, comem 5,8 kg per capita. ''Essa média está bem acima da brasileira, que não chega a 100 gramas por habitante'', observa Kowalski.
A conselheira técnica da Abimilho, Sueli Strazzi, que é também responsável pelo desenvolvimento de produtos da indústria moageira Caramuru, de Apucarana, destaca que o milho integra muitos produtos que fazem parte da alimentação das pessoas. Há pelo menos 3.500 diferentes usos para os produtos que se extraem do cereal.
Entre os principais produtos processados pela indústria do milho estão as canjicas, farinhas, flocos, farinhas pré-cozidas, óleo refinado, amido, xaropes de glucose e dextrose. Há ainda derivados de uso industrial utilizados pelas indústrias de bebidas, papel e celulose, têxtil e medicamentos, entre outros.
Alimento rico - A professora do curso de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Rita de Cássia Yera Sambatti, destaca que o milho é um alimento rico em carboidratos, que são imprescindíveis à alimentação humana. ''São eles (os carboidratos) que fornecem a energia que nosso organismo necessita no dia a dia'', enfatiza.
Na pirâmide de alimentos usada para orientar uma prática alimentar saudável, o milho está na base: o grupo dos cereais, farinhas, pães, tubérculos e massas. ''É a classe de alimentos com o maior número de porções a serem consumidas diariamente'', explica Cássia.
Entre as vitaminas, o milho e seus derivados são riquíssimos em vitamina A, que contribui para uma boa visão, para a pele e ainda no crescimento e desenvolvimento das crianças. Ele contém ainda muita fibra e proteínas.
Cássia sugere que no cardápio da merenda escolar poderia ser introduzido o fubá com leite, o mingau de fubá. ''As propriedades nutricionais dessa combinação podem atender 15% das necessidades diárias do escolar'', garante.
A Abimilho destaca ainda que devido a seu elevado valor energético (360 kcal/100 gr), é uma excelente opção no combate à desnutrição. No entanto, o grão nunca ocupou lugar de destaque na alimentação da maioria da população.
Além da falta de hábito, as políticas de subsídios ao trigo importado, impediram aumento no consumo do milho pelo homem. Essas políticas, que prevaleceram até os anos 80, com juros baixos e prazos facilitados de pagamento, ampliaram a importação do trigo que tomou parte do espaço que seria ocupado pelo milho na alimentação humana.
A nutricionista afirma que o baixo consumo do milho está ligado também ao preconceito. ''O milho sempre foi considerado alimento para pobres, negros (escravos) e animais,'' observa. A polenta, criada na Itália, chegou a ser considerada como o principal alimento para pobres.
Já os índios, segundo Cássia, reponsáveis pela introdução do grão na alimentação humana, o consideravam ''um alimento feito para deuses e para o homem.''
Cássia destaca que, pelo sabor agradável, o milho e seus derivados permitem interessantes criações e combinações culinárias. ''Os produtos do milho vão bem com carnes, aves, peixes, além de doces maravilhosos, como os bolos e broas de fubá'', provoca.
A nutricionista ensina que um prato feito à base de milho, mais um vegetal e um tipo de carne, é suficiente para fornecer equilíbrio nutricional necessário e representam uma refeição saudável.
Antes que o consumidor reclame que os pratos com milho são trabalhosos, vai aí outra boa informação: a indústria está antenada com o corre-corre da vida moderna. Basta uma rápida busca pelas gôndolas dos supermercados para se encontrar opções de produtos semi-prontos, como as polentas pré cozidas, flocos de milho de preparo rápido, bolos de fubá. Então, bom apetite!


