Milho: excelente fonte de energia
Produzido em quase todos os continentes, o milho se destaca como um importante alimento energético. Segundo Maria Cristina Dias Paes, PhD em nutrição humana e ciência dos alimentos, da Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG), esse grão é considerado uma fonte de energia para as dietas humana e animal, devido à sua composição predominantemente de carboidratos (amido) e lipídeos (óleo).
''O milho é um alimento importante por ser, principalmente, fonte de energia. E é assim classificado pela quantidade de carboidratos ou açúcares que contém. Não quer dizer que não seja fonte de outros nutrientes, mas o principal é o amido'', ressalta Maria Cristina.
Esse cereal normalmente possui uma boa concentração de proteínas (entre 9% e 12,5%), mas esta é de qualidade inferior se comparada às proteínas de outras fontes vegetais e animais. Porém, cultivares desenvolvidas pela Embrapa na década de 1980, denominadas QPM (Quality Protein Maize), resultado de melhoramento genético, contêm quantidades aumentadas dos aminoácidos lisina e triptofano, que conferem a esta proteína uma qualidade melhor, semelhante à proteína de origem animal, como o ovo.
Já o óleo de milho possui uma composição de ácidos graxos, que também o define como de grande importância para a dieta humana, principalmente para a prevenção de doenças cardiovasculares e o combate ao colesterol.
Segundo a doutora em alimentos, os dados de consumo humano de milho usados para os seus estudos são antigos, do início da década de 2000, no entanto sinalizam que o cereal é importante mas nem sempre consumido em grandes quantidades. Na América Central, por exemplo, onde o grão é um alimento base, o consumo per capita/ano é de aproximadamente 30 quilos. No Brasil, a quantidade média é de 18 quilos por ano.
Maria Cristina acrescenta que o consumo do ceral é normalmente maior na zona rural. ''Possivelmente porque os pequenos produtores geralmente transformam o grão para consumo próprio'', acredita. O Nordeste brasileiro é o maior consumidor de milho, inclusive no café da manhã onde se come de cuscuz a pipoca doce. Na região central, há consumo significativo, como em sucos e pamonhas. Já no Sul, a opção é por derivados farináceos.
Pesquisas
A cientista de alimentos da Embrapa comenta que o órgão tem atuado desde a década de 1980 no desenvolvimento de cultivares de milho com melhor valor nutritivo, com o intuito de reduzir os índices de doenças nutricionais sérias no País. Ela explica, por exemplo, que a coloração amarela do milho é devido à presença de carotenóides, substâncias®MDBO¯ ®MDNM¯precursoras em vitamina A. ''Estamos focados e preocupados em aumentar os carotenóides precursores da vitamina A no milho através de um material biofortificado'', cita. A falta de vitamina A no organismo humano, chamada também hipovitaminose A, em seu grau mais acentuado, causa cegueira em crianças.
A especialista destaca, entre outros números, que cerca de 4 bilhões de pessoas no mundo sofrem de anemia em algum momento da vida. A anemia ferropriva, esclarece Maria Cristina, acontece pela falta de ferro no organismo e a ideia com as novas cultivares é oferecer um alimento mais rico nesse nutriente. Ela cita que, somente no Brasil, cerca de 50% das crianças abaixo de 5 anos ainda apresentam deficiência de ferro, mesmo com todas as estratégias governamentais de combate a este problema, como a fortificação de alimentos industrializados com ferro, e mesmo a distribuição do ferro medicamentoso. (E.Z.)





