Milho deve voltar com força no verão
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local 
As sementes para o plantio de grãos para a safra 2011/12 ainda estão nos armazéns das empresas e cooperativas. Mesmo que possa parecer um pouco cedo para dados preliminares de área plantada para o próximo ciclo, o bom momento de preços para a cultura do milho, por exemplo, já sinaliza um crescimento da cultura, segundo um estudo realizado por Paulo Molinari, analista sênior da consultoria Safras & Mercado. No levantamento, o pesquisador estima que a área plantada de milho no Paraná deverá crescer 9,1% em relação ao ciclo anterior, com uma expectativa média de plantio de 894 mil hectares.
Na safra 2010/11, de acordo com Molinari, a área plantada no Paraná foi de 819.530 hectares, registrando no período uma queda de 9,3% se comparado ao ciclo anterior, que foi de 903.455 ha. Em termos de produção, o Estado deve registrar um volume na próxima safra de verão de 6,25 milhões de toneladas de milho. No período 2010/11, foram colhidos 5,68 milhões de toneladas, cerca de 2,76% a menos do que na safra 2009/10.
Em termos de produtividade, o relatório aponta que o Paraná deverá produzir 7 mil quilos por hectare, 65 quilos a mais do que no ciclo anterior. Na safra 2009/10, a produtividade das lavouras de milho paranaense ficou em 6,92 mil quilos por hectare. ''A relação de troca entre milho e soja, em termos de preços, favoreceu muito o milho'', aponta.
Na estimativa nacional realizada pela consultoria, a área do grão na safra de verão deverá crescer 5,2% em relação à safra anterior, totalizando 5,15 milhões de hectares. Molinari afirma que uma das justificativas para esses crescimentos foi a boa comercialização do produto neste ano e também a opção dos produtores em investir em novas tecnologias que trazem melhores resultados, principalmente no que diz respeito ao aumento de produtividade.
Em relação à próxima safrinha, Molinari estima que o setor deverá se aquecer e prevê um crescimento no plantio de 5,4%, motivado, segundo ele, pelo quadro favorável de preços em 2011 e o perfil de plantio da soja possivelmente mais precoce a partir de setembro. Estas duas configurações, conforme Molinari, leva a safra a um potencial de produção de 61,8 milhões de toneladas em 2012.
A volta do Paraná
Margorete Demarchi, engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), anuncia que o Paraná está retomando a sua área de milho depois de dois anos seguidos de quedas. ''O produtor nessas últimas safras investiu mais em soja porque a cultura é praticamente dinheiro na mão, ou seja, trazia melhor rentabilidade do que o milho'', compara. Porém, segundo a pesquisadora, atualmente, os preços do milho ficaram atrativos aos produtores paranaenses.
Em um ano, explica Margorete, o preço da saca do milho teve reajuste de 86,3%, cotada na última quarta-feira a R$ 24,35. Segundo a pesquisadora, o milho perdeu espaço para a soja nos últimos ciclos porque ofereceu maior liquidez, além de ser uma cultura menos suscetível às mudanças bruscas de temperaturas. A situação do grão hoje, segundo a agrônoma, é bem mais favorável. Ela acrescenta que o milho deverá se acomodar na próxima safra na região sul do Estado, ocupando uma pequena parte da soja e também do feijão.
Fernando Mendes, meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar, afirma que o Estado tem hoje uma condição climática confortável para se produzir milho. Isso, segundo ele, beneficiou o crescimento da produção do grão do Estado perante outras regiões do País. Mendes exemplifica que o La Ninã, fenômeno que diminui o volume de chuvas na América do Sul, não causou grande impacto nas principais regiões produtoras do Paraná no última temporada. O Estado, pelo contrário, foi beneficiado por sua posição geográfica.
Mendes explica que o Paraná está localizado entre o Sul e o Sudeste do País, isso o proporciona uma condição climática equilibrada. Além disso, segundo ele, o Estado, por sucessivas vezes, foi beneficiado por fluxos de umidade vindos da Amazônia, enquanto outras regiões amargaram com a seca. Porém, segundo ele, não dá para prever como será o comportamento climático da safra 2011/12, mas espera que seja propício para a produção de grãos.


