O milho não dará trégua para a suinocultura em 2003. A previsão é do pesquisador Jonas Irineu dos Santos Filho, da Embrapa Suínos e Aves de Concórdia (SC). Ele analisou a procura por sementes certificadas, um indicativo para a próxima safra, e concluiu que a oferta continuará apertada. ''A tendência é que o dólar estará um pouco mais barato, mas dificilmente a saca de 60 kg será vendida abaixo dos R$ 17,00.''
Outro sinal é o preço futuro do grão no mercado paulista: negócios para pagamento e entrega em março foram fechados com a saca valendo R$ 21,35. ''Compradores estão percebendo que, na média, o milho continuará muito caro nos próximos 12 meses.''
Para os suinocultores independentes a produção dentro das propriedades será decisiva para a sobrevivência. Como será difícil mexer em 70% do custo de produção, fatia relativa à alimentação, o pesquisador vislumbra apenas duas saídas: ''A redução dos plantéis, para se obter uma oferta mais próxima demanda real, e o aumento do consumo no mercado interno.''
A primeira opção deve se concretizar no máximo até o final do primeiro trimestre de 2003. A oferta está bem mais controlada neste momento e há a expectativa de que o excedente do mercado possa desaparecer até mesmo antes do final de 2002. Já o aumento no consumo interno é mais difícil. Depende de uma maior oferta de cortes in natura, redução dos preços nos supermercados e de convencer aquele consumidor, que ainda mantém tabus em relação à carne suína, considerada erroneamente um alimento prejudicial à saúde por muitas pessoas, em consumir mais.

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