Milho de maior qualidade protéica
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Cláudia Barberato 
Paulo WolfgangGuimarães e o novo híbrido. Grãos com maior qualidade protéicaO híbrido duplo BR 2121, que deverá ser liberado a partir da safra 97/98, também é indicado para uso na alimentação humana devido a sua maior qualidade protéica como alimento. No destino à alimentação animal, a expectativa é de que o novo milho ofereça vantagens de economia na ração que seria destinada ao cardápio de criações de suínos, aves, peixes e equídeos.
O milho está sendo testado em várias regiões do País, inclusive no Paraná, e foi pré-lançado esta semana em Londrina, com a visita do Ministro da Agricultura e do Abastecimento, Arlindo Porto, durante lançamento da Campanha de Redução de Perdas na Colheita e de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa.
O híbrido é chamado de precoce com elevado potencial de produtividade e alta qualidade protéica. A vantagem é que os grãos têm teores médios de aminoácidos (triptofano e lisina) 50% superiores aos do milho comum, essenciais ao organismo humano e animais monogástricos. Além disso, a condução da lavoura não exige modificações de cultivo em relação ao milho comum.
EconomiaPesquisas conduzidas pela Universidade Federal de Lavras, de Minas Gerais, revelaram que suínos alimentados com ração contendo milho de alta qualidade protéica (QPM) apresentaram desempenho similar ao de animais alimentados com ração padrão, proporcionando, ainda, uma economia de 31,8% de consumo de farelo de soja.
Outra avaliação indicou desempenho superior de frangos alimentados com milho QPM em dietas subprotéicas. Esses resultados preliminares indicam o potencial do milho QPM para a produção de rações balanceadas mais baratas, devido à economia de uso de concentrado protéico.
Numa época quando se fala de sustentabilidade agrícola e segurança alimentar, apostar no desenvolvimento de materiais de maior valor nutricional a serem cultivados nos mesmos moldes dos comuns, é um desafio da pesquisa. A avaliação é do pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Milho e Sorgo, da Embrapa, sediado em Sete Lagoas (MG), Paulo Evaristo de Oliveira Guimarães. Foi a Embrapa/Milho e Sorgo que desenvolveu o BR 2121.
Atualmente estão em campo 59 unidades do híbrido, que servirão para teste de observação em granjas de suínos e aves de todo o País. Estas unidades servirão para avaliar tanto o lado agrônomico do milho quanto os resultados dos grãos nas rações utilizadas para alimentação animal. O efeito da utilização desse milho, lembra Guimarães, dependerá do tipo do animal, da fase de desenvolvimento e da qualidade da ração fornecida.
Experimentalmente a produtividade alcançada, em boas condições de cultivo, tem ficado entre 4 e 6 toneladas de grãos por hectare, desde que seja usada uma boa adubação, e em período de safra normal. De acordo com o pesquisador, no Paraná existem mais de 100 híbridos recomendados e este será o primeiro com maior qualidade protéica.
A Embrapa, além de ter seu programa de melhoramento, deve estimular empresas privadas de sementes a produzir o híbrido. Há também um trabalho de intercâmbio com a África e a Índia para troca de material genético.


