Mário CesarSaindoColheita da safra de verão, no Norte do Paraná Enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) calcula em mais de 31% o corte dos financiamentos para a agropecuária neste ano, os agricultores do Paraná preparam-se para mais uma safra de riscos, na esperança de ganharem alguma coisa ou de perderem pouco no inverno - a safrinha do milho.
O Brasil, graças a sua extensão territorial e diversidade de clima e solos, é um país de muitas safras normais, além de alguns cultivos fora de época, as chamadas safrinhas. O que é bom para o Cerrado de Minas e do Centro-Oeste do País, pode não ser bom para a Região Sul. No Paraná, a soja ‘‘de inverno’’, cultivada no Oeste, foi praticamente abandonada no Norte. Questão de clima.
O trigo, por sua vez uma cultura de inverno, está deixando espaço maior a cada ano, devido ao desestímulo causado por frustrações na produção e preços baixos. O feijão também foi experimentado por aqui nesta época, mas não deu certo. Feijão ainda é uma cultura difícil, começando pela escassez de sementes de boa qualidade e pela baixa tecnologia em geral utilizada pelos lavradores. O girassol-safrinha pode ser uma boa opção nos Cerrados de Mato Grosso do Sul, mas é desaconselhável para o Estado do Paraná.
Qual a alternativa, se nem existe Proagro para cultivo de risco (solo e clima não recomendados, produtos não pesquisados..., safrinha), e quem plantar e perder terá que utilizar dinheiro do bolso para cobrir o empréstimo que eventualmente pegar do banco? A resposta, dizem alguns técnicos, pesquisadores, produtores de sementes, cooperativas e lavradores, está no milho. Até porque, sendo lavoura de baixo custo - e tendo sementes de vários teores de resistência e produtividade - o milho alivia seus produtores da preocupação com o crédito. Tanto que a maioria dos produtores historicamente prefere operar sem pegar empréstimo.
Como nesta safrinha de milho que o Paraná começa a plantar e que pode se beneficiar de um mercado consumidor em expansão, principalmente nos segmentos de rações para aves, suínos e gado leiteiro. No entanto, advertem os especialistas, é preciso ir atrás de competitividade, que se consegue através de custos menores e produtividade maior. Tecnologia para isto existe. Se você não tem recursos próprios ou tem pouco dinheiro, procure pelo menos investir no básico: siga as orientações da pesquisa, capriche no preparo do solo, e, sobre a palhada da cultura anterior (plantio direto), não jogue dinheiro fora em semente ruim.
Se, na hora de colher, por qualquer desastre, a produção não fôr boa, o lavrador terá no mínimo uma alternativa de alto valor: a incorporação da palhada para enriquecer o solo sobre o qual será instalada a cultura de verão. Estudos científicos comprovam o excelente efeito da palhada do milho no rendimento da lavoura seguinte: a quantidade de material orgânico produzido por uma safra de milho seria equivalente à de duas safras de aveia ou a quatro de trigo.
Segundo pesquisas feitas pelo Iapar, soja após milho, no sistema de plantio direto, sofre menor incidência de plantas daninhas de folha larga, devido à quebra de seletividade (leguminosa após gramínea). Além disso, a cultura subsequente é beneficiada pela retenção de umidade no solo, ‘‘pela presença de grande volume de resíduos da cultura do milho, cuja decomposição é lenta e gradativa; maior estabilidade de produção, pela redução dos riscos por adversidades climáticas’’ (Fonte: Iapar, in A Cultura do Milho no Paraná, outubro de 1991).
Nesta edição, dedicada à safrinha do milho, preste atenção nas orientações dos técnicos, que não falam apenas das vantagens do plantio fora de época, mas apontam os riscos da época mais fria e menos chuvosa do ano. De qualquer forma, apontam caminhos.
O autor é editor da Folha Rural

mockup