Milho ainda está indefinido
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sexta-feira, 25 de março de 2005
Telma Elorza<br>Reportagem Local 
Se não chover forte e logo, muitos produtores podem deixar de plantar o milho safrinha, o que deve contribuir ainda mais para a quebra na safra já prejudicada pela estiagem. Isso torna o mercado interessante para o produtor que já tem o milho estocado, na avaliação do presidente da Bolsa de Mercadorias de Londrina (BML), Luiz Roberto Ferrari. Segundo ele, o milho teve boa procura durante a semana com preços variando entre R$ 19 e R$ 20 a saca, um valor bem melhor que o praticado há 50 dias, quando o máximo oferecido pelo mercado era de R$ 14 a R$ 14,50.
Segundo ele, ainda há certa indefinição no quadro geral para o mercado de milho porque muitos produtores ainda não sabem se vão plantar ou não. ''Eles ainda estão esperando chover e tem que ser chuva de, pelo menos, 50 milímetros , para fazer o plantio da safrinha. Porém, a própria espera está contra o produtor já que, se acontecer, será um plantio tardio, que pode enfrentar o frio'', explica.
Por outro lado, o presidente da BML alerta que o governo federal pode intervir no mercado, liberando a importação do milho, como já anunciou que iria fazer. ''Com uma canetada do governo, o mercado amanhã pode deixar de ser atrativo. As grandes empresas consumidoras do milho podem ir buscá-lo na Argentina, fazendo os preços aqui caírem lá embaixo'', explica.
A instabilidade do mercado é demonstrada pelo preço da soja, explica Ferrari. Segundo ele, no início da semana passada, a soja estava em alta. ''Entre a sexta-feira da semana passada e a última segunda, ela caiu 15% porque os investidores saíram em vendas maciças na Bolsa de Chicago'', disse.
Para Ferrari, o produtor tem que analisar bem o que pretende fazer. ''O produtor não está aí para especular. Ele tem que ser bem renumerado na sua produção mas não ser um especulador'', afirmou.


