ReproduçãoBoa produçãoBem conduzido o milheto chega a produzir 20 toneladas de matéria seca por hectareO agricultor que vai plantar soja no verão, não plantou o trigo nem pretende fazer o cultivo de aveia ou outra cobertura do solo durante o período de inverno, ainda pode optar pelo milheto. A informação é do pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Elir de Oliveira, que trabalha na unidade de Palotina. Oliveira esteve em Londrina na semana passada, falando para um grupo de agricultores, reunidos na Sociedade Rural do Paraná, numa palestra promovida pela Agroben - Produtos Agropecuários.
Segundo Oliveira, o agricultor paranaense pode cultivar o milheto durante a chamada entressafra, período que vai do final do inverno ao início da primavera, ou final de verão e início de outono, quando normalmente a terra ainda teria o trigo mas, em muitas regiões do Estado, fica mesmo em pousio, sem nada.
AlternativaDe acordo com o pesquisador, o milheto deverá ganhar novas áreas este ano, principalmente nos locais onde outras coberturas de solo, como aveia ou nabo forrageiro, não foram implantadas por causa da safrinha. Os bons resultados da cultura nos Cerrados, onde viabilizou o uso do plantio direto, também deverão atrair os agricultores.
Mário CesarOliveira afirma que milheto é boa opção para cultivo antes da soja no verão
Segundo Oliveira, o milheto é usado como forrageira há várias décadas, no Rio Grande do Sul, onde é mais conhecido como pasto italiano. Há mais de cinco anos é cultivado nos Cerrados, onde, devido ao déficit hídrico que ocorre a partir de abril, é alternativa para cobertura de solo, para substituir materiais de inverno mais exigentes em água.
Pode-se dizer, de acordo com o pesquisador, que o milheto foi a redenção para o plantio direto nos Cerrados. Em função da sua resistência à falta de água, pode ser plantado depois da soja, servindo de cobertura do solo no período de outono e inverno e de forragem para o gado.
Nos Cerrados, segundo Oliveira, após a colheita da soja ainda há ocorrência de chuvas até março/abril, o que permite o plantio do milheto em boas condições. A partir de maio quase não chove, mas como é mais resistente à falta de água, desenvolve-se bem.
No Paraná o milheto encontra condições diferentes para ser cultivado. Sendo planta de dias curtos, tende a florescer em épocas em que o dia apresenta em torno de 12 horas de luz, não sendo indicado para semeadura no inverno.
O agricultor pode continuar com o trigo ou a aveia no inverno e a soja no verão, e plantar o milheto como uma cultura de entressafra. Ou seja, no intervalo entre final do inverno e começo da primavera, permanecendo até outubro, quando o milheto deve ser manejado para semeadura da soja.
Em agostoO cultivo do milheto, garante Oliveira, além de permitir boa cobertura do solo e evitar erosão, reduz população de ervas daninhas, melhora estrutura do solo e permite ciclagem de nutrientes na área e serve para a produção de forragens para animais de corte ou de leite. Nas condições do Paraná é importante escolher cultivares de ciclos mais longos. O pesquisador está indicando a BN-2.
O plantio pode ser feito a partir de agosto. O produtor colhe a safrinha e entra com o milheto a partir de agosto, devendo ser manejado no final de outubro para o plantio da soja em novembro. Também é possível plantar após a cultura do verão; podendo ser semeado até início de março.
A quantidade de sementes é de 15 a 25 quilos por hectare, preferindo o plantio em linha do que a lanço, de maneira que se tenha 250 sementes viáveis por metro quadrado ou 50 sementes por metro linear.
Num planejamento de cultivos o agricultor pode ter o milheto antecedendo a soja ou após a cultura de verão. A escolha da época de cultivo depende do sistema de rotação adotado e do planejamento da propriedade. Importante também, alerta o pesquisador, é procurar orientação técnica.
O milheto é uma das gramíneas mais tolerantes a déficit hídrico e solos de baixa fertilidade. Porém, quando bem adubado responde melhor. Baixas temperaturas inibem o crescimento. Em boas condições produz cerca de 20 toneladas de matéria seca por hectare. Plantado em época adequada permite de cinco a seis cortes. O teor de proteína pode variar de 6% até 20%. Quando mais novo e bem adubado pode chegar a 20% de proteína.
No sistema de pastoreio direto pode ser usado com cerca elétrica, onde os animais são colocados quando o milheto estiver com 70/80 centímetros de altura e retirados quando as plantas estiverem com 25 a 30 centímetros de altura.
PesquisaO interesse da pesquisa hoje é trabalhar com o milheto dentro do sistema de produção, determinando as melhores cultivares, sistemas de manejo e adubação. Segundo Oliveira está em fase de implantação, pelo Iapar, um projeto de reforma de pastagem na região do arenito, onde o milheto deverá fazer parte da rotação de culturas dentro do plantio direto, como forragem e cobertura do solo.
A grande vantagem do cultivo é que o agricultor pode aproveitar o adubo residual das culturas comerciais plantadas anteriormente, devendo apenas se preocupar com a adubação nitrogenada em cobertura.
Mesmo não sendo ainda considerada cultura comercial, a lavoura de milheto proporciona benefícios ao solo e a transformação de leite e carne pela alimentação dos animais. ‘‘Pode-se dizer que a cultura é econômica e até ecológica’’, garante Oliveira. Permite cobertura do solo, evita erosão e melhora a terra para a cultura seguinte.

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