Microorganismos que podem mover o mundo
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sábado, 23 de janeiro de 2010
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O Brasil está entre os primeiros colocados quando o assunto é a utilização de energias alternativas. E a busca por novas fontes de energia desperta o interesse de órgãos governamentais e privados. As microalgas são uma dessas possibilidades e podem ampliar a matriz energética brasileira, como uma importante fonte de biocombustível. Pesquisas com microalgas estão sendo desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em convênio com a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
O objetivo é desenvolver tecnologias de cultivo da espécie visando extração de biocombustível. ''Algumas espécies têm elevado teor de lipídeo (óleo), e é justamente aí que reside o interesse da pesquisa: elas podem ser uma fonte de biodiesel bastante favorável e ainda gerar subprodutos para alimentação humana e animal'', explica Diva de Souza Andrade, coordenadora do projeto.
Enxergadas somente com lentes de grande ampliação, microalgas são organismos que vivem na água, utilizam a luz solar para se desenvolver e são altamente produtivos. ''Queremos selecionar as espécies mais produtivas e também estudar a biodiversidade paranaense para buscar novos materiais promissores'', explica a pesquisadora.
Diva Andrade afirma que o interesse na área vem crescendo nos últimos anos. Segundo ela há diversos grupos de pesquisa estudando microalgas no Brasil e no mundo, mas são investigações que se concentram na área de estudos básicos de taxonomia; saneamento (algumas produzem toxinas, um grave problema nos reservatórios de água destinada ao consumo humano); aquicultura, como fonte de proteínas para peixes e camarões; e ainda, para uso na indústria de cosméticos.
O potencial para biodiesel desses microrganismos ainda está para ser explorado. Diva Andrade explica que as microalgas se multiplicam rapidamente e têm alta capacidade de fotossíntese. Por isso, podem ser pelo menos cinco vezes mais produtivas do que, por exemplo, o dendê, apontado como a oleaginosa de maior produtividade para biocombustível.
A facilidade para extração do óleo é outro fator positivo. Diva Andrade explica que as microalgas formam na águas grandes massas - essas sim, visíveis a olho nu. Basta secar e prensar para obter o óleo. Diva afirma que o início das pesquisas com microalgas data da década de 1950, no Japão, visando diversas utilizações, como a alimentação. Também foram realizados experimentos nos Estados Unidos nos anos de 1970. ''Existem mais de 300 espécies desses microorganismos. Precisamos identificar e selecionar os mais indicados para o biocombustível'', destaca a pesquisadora.
Uma das vantagens do sistema é que a produção das microalgas não exige água potável. De acordo com a pesquisadora, é possível usar água salobra e aquela que não é adequada para o consumo humano e animal e para a agricultura. ''Pode até mesmo ajudar a resolver o problema de emissão de CO2'', diz.
Um dos maiores desafios a vencer é o custo de produção elevado, pois o cultivo de microalgas exige a construção de tanques específicos para a atividade, denominados fotobiorreatores. É preciso estudar um modelo de reservatório viável economicamente, a melhor tecnologia para o manejo e, principalmente, a técnica mais favorável para coleta das microalgas.
Mas o desafio não assusta a pesquisadora. ''Temos a oportunidade de iniciar uma linha de pesquisa nova e altamente promissora não só em termos de energia renovável como subprodutos derivados da sua produção'', conclui. O projeto terá o aporte de R$ 2,2 milhões em dois anos.


