Microclima favorece fruticultura no Oeste
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sexta-feira, 02 de novembro de 2001
Emerson Dias<Br>Enviado a São Miguel do Iguaçu 
Os pequenos agricultores do extremo oeste paranaense estão descobrindo as vantagens oferecidas pelas mudanças climáticas ocorridas na região, logo após a formação do Lago de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo. Prova disso é a valorização da fruticultura nos municípios lindeiros, favorecendo a diversificação das propriedades e a manutenção do homem no campo.
A banana encabeça uma extensa lista de frutas (que inclui ainda melancia, pêssego, abacaxi, entre outras), produzidas nas seis principais cidades que margeiam o reservatório. Foz do Iguaçu é o terceiro maior produtor de banana do Estado, com 7 mil toneladas/ano, e tem até uma comunidade rural com o nome alusivo à fruta (Vila Bananal).
''Estamos agora experimentando a produção de côco da bahia (10 hectares). Dentro de pouco tempo, teremos também uma área com caqui (25 hectares)'', comentou o engenheiro agrônomo da Secretaria do Meio Ambiente de Foz, Antonio Zanete. As áreas plantadas ainda são pequenas, mas representam grande esperança às dezenas de pequenos produtores rurais que ''disputam terreno'' com atrativos turísticos sediados às margens dos rios Paraná e Iguaçu.
Renda mensal
Em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros de Foz), agricultores tradicionais também reforçam a renda, diversificando a propriedade com frutas. Para Miguel Mathias e seu filho Luiz Carlos, manter o bananal significa dinheiro todo o mês. ''Temos algumas cabeças de gado e uma roça de milho, mas a grande vantagem da banana é o fato dela não ser uma cultura de safra. Toda semana você colhe'', explicou Luiz Mathias.
Mesmo que o mercado atual não esteja tão atraente o produtor se mostra animado com a possibilidade de incrementar os 34 hectares com goiaba e manga. Ele disse ainda ter sido ''agraciado'' com a escolha do local, feita pela família há mais de 30 anos. ''Com o lago distante três quilômetros, raramente ocorrem geadas aqui.''
Análise de riscos
Segundo o técnico da Emater em São Miguel, Adauto de Jesus Medina, o microclima da região também propicia o desenvolvimento de pomares que não sejam tropicais (a uva, por exemplo) e ainda oferece condições para o desenvolvimento de culturas orgânicas. ''A diversificação é a melhor alternativa para os agricultores e esta região é excelente para novos experimentos. Temos boa produção das culturas tradicionais, como milho e soja, mas também de produtos diferenciados, como fumo e brócolis'', salientou Medina, lembrando que a região produz e beneficia anualmente 16 toneladas da hortaliças. Já o fumo ocupa 500 hectares no município, sendo que parte da produção é exportada para a Suíça.
Somadas às altas temperaturas, o bom índice de umidade relativa do ar e a baixa incidência de geadas transformaram o Oeste do Paraná em bom local para produzir hortifrutis. O responsável pelo Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Paulo Andrade, lembra no entanto que as autoridades regionais devem pensar menos nos ''rankings de maior produção'' e tentar potencializar cada setor do município com a cultura que apresentar melhor desenvolvento.
''Podemos encontrar microclimas diferentes dentro dos próprios municípios. Muitas localidades podem produzir frutas de climas quente e frio'', comentou Andrade.
Produção foi deslocada no PR
O engenheiro da Seab também destacou a ''pulverização'' da fruticultura no Paraná e citou como exemplo a produção de frutas em Andirá. ''Até seis anos atrás, era impossível pensarmos em bananeiras naquela região. Agora ela é a maior produtora do Estado'', comentou Andrade, referindo-se à produção recorde de 35 mil toneladas/ano.
Guaratuba, que antes liderava a produção de bananas, hoje está em segundo lugar com 34 mil toneladas/ano. Até 1995, as cidades litorâneas produziam 100% da fruta consumida no Estado. Atualmente, este índice é de 40% (no ano passado, o Paraná produziu 117 mil toneladas de banana).
Serviço: Para obter outras informações sobre as culturas ideais para cada local o produtor pode entrar em contato com o representante da Seab de sua região ou acessar o site: www.pr.gov.br/seab (clique o ícone: ''Serviços - Aspectos da Agropecuária do Paraná'').


