Mexerica faz bem à saúde
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Tangerina, bergamota e laranja-cravo são alguns dos nomes usados em diferentes regiões do Brasil para designar as frutas cítricas conhecidas popularmente como mexericas. Altamente nutritivas, elas já podem ser consumidas o ano todo no Paraná, graças ao manejo integrado do cancro cítrico, programa desenvolvido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que foi fundamental para a retomada do cultivo de citros no Estado.
Os avanços da pesquisa ainda culminaram no desenvolvimento de variedades precoces e tardias que completam o ciclo da fruta. Para fugir da época da safra e poder competir no mercado da ponkan, cuja colheita termina em junho, o produtor Tomita Itimura resolveu investir no cultivo da mexerica montenegrina, variedade tardia, que pode ser colhida até setembro.
Na Fazenda Limeira, em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), Itimura destinou 12 alqueires ao cultivo da montenegrina. Em cada alqueire foram plantadas mil árvores. No ano passado, quando o pomar completou sete anos, a produção foi de 6 mil caixas. Este ano, pelos cálculos do adminsitrador da fazenda Ademilson Moreira, a renda deverá ser três vezes maior. Hoje, as mexeriqueiras produzem 1,5 caixa(cx)/pé. ''Em mais um ano o pomar atingirá sua capacidade total que é de 3 cx/pé'', afirma.
Ele explica que a colheita emprega de 35 a 50 pessoas e que cada funcionário recebe em média R$ 16,00 por dia. Todos assinam um contrato de trabalho por colheita e são registrados. O administrador contrata trabalhadores do município e cidades vizinhas e fornece o transporte durante toda a colheita. A propriedade conta ainda com outros 35 podadores, 16 deles fixos, que além de trabalhar com a mexerica, cuidam da poda do pêssego e da nectarina, também cultivadas na propriedade.
A colheita ocorre conforme o aumento da demanda. No início, em julho, os pedidos são menores e a coleta dos frutos ocorre dia sim dia não. No ápice da colheita, em setembro, a fazenda trabalha sem parar. A seleção dos frutos é feita por um grupo de mulheres, já habituadas ao trabalho. ''Estamos numa época boa de preço, por isso não precisamos nem selecionar os melhores frutos. Todos têm mercado'', afirma. A caixa da montenegrina produzida na Fazenda Limeira está sendo vendida por até R$ 18,00.
A produção é comercializada no mercado regional de Londrina, mas a maior parte atende grandes redes de supermercados de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba. A fazenda possui um sistema de embalagem dos frutos que se adequa à necessidade do cliente.
Marco Antônio Machado, diretor comercial da fazenda, enumera os três tipos de embalagens mais utilizados: a one way, que é descartável; o contentor plástico, destinado principalmente às grandes redes de supermercados; e as caixas de madeira de 20 quilos.
O gerente de logística Marcelo de Souza explica que a fazenda possui uma frota de 17 caminhões para a entrega das frutas. No caso das grandes redes de supermercados, a produção é destinada às centrais de distribuição. ''Já em Londrina, as mexericas são entregues de loja em loja'', conclui.


