Mesmo em água doce, camarão não perde a majestade
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sexta-feira, 04 de maio de 2007
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
O prazer de consumir camarões frescos não é mais privilégio dos moradores do litoral. A opção de policultivo com as tilápias, em tanques escavados, está trazendo para o interior do estado a oportunidade da produção de camarões de água doce. Em Bela Vista do Paraíso, o produtor Hélio Salomão está na atividade há seis anos e coloca-se entre os pioneiros do País nesse sistema de criação.
A variedade escolhida é o camarão-gigante-da-malásia, que ocupa metade das 12 represas instaladas na propriedade. A criação de camarões, além de oferecer mais uma fonte de renda, cobre quase que todo o custo da ração utilizada para a tilápia. A ração, destaca o produtor, representa o gasto mais elevado da produção. Como ocupam espaços diferentes na represa - os camarões ficam no fundo e os peixes na superfície - os crustáceos alimentam-se da ração não aproveitada pelos peixes.
O tempo de produção dos dois é praticamente o mesmo, em média seis meses, mas o camarão entra primeiro no tanque - 30 dias antes. O período de produção é o verão, já que a espécie não suporta temperaturas frias. ''Colocamos as pós-larvas em setembro, prevendo a retirada nos meses de março a maio'', informa. A produção atual das 12 represas, segundo o produtor, é de 15 toneladas de tilápias e 800 quilos de camarão.
No consórcio a indicação de unidade animal é de quatro camarões por metro quadrado, mais 1,2 tilápias/m2. Hélio Salomão admite que o índice de mortandade das larvas é alto, em torno de 50%. Nas principais causas estão os predadores, como a larva da libélula. ''São causas difíceis de se resolver, mesmo assim a atividade vale a pena'', garante.
As pós-larvas, segundo Salomão são adquiridas de uma empresa de Piedade, interior do estado de São Paulo. O produtor é o representante da empresa na região. As larvas prontas para o início do cultivo têm tamanho médio de 1,5 centímetros. ''Elas vêm acomodadas em embalagens com água enriquecida com oxigênio.'' O custo é de R$ 70,00 o milheiro posto na propriedade, informa.
Na região de Londrina o policultivo camarão/tilápia já é praticado por oito agricultores familiares. A produção por safra é de 1,5 tonelada. A comercialização, segundo o engenheiro de pesca Luiz Eduardo de Sá Barreto, do Projeto Regional de Aquicultura e Pesca da Emater, ainda é limitada.
Serviço:
Contatos com o produtor Hélio Salomão para informações ou mesmo aquisição das pós-larvas do camarão-gigante-da-malásia pelo telefone (43) 9972-5251.


