As dificuldades da família de José Raimundo, entretanto, não se resumem ao trato do gado leiteiro. Ele e os dois filhos de 22 e 23 anos (um deles deficiente mental), vivem em situação de miséria. Para economizar, o fogão a gás só é utilizado em dias de chuva.
Os banhos da família são tomados praticamente ao ar livre, num cubículo levantado junto ao paiol, coberto com pedaços de sacos plásticos de adubo. A esposa do produtor, que está doente, mora com uma filha na cidade e vem duas vezes por semana no sítio apenas para lavar as roupas no córrego.
Quando consegue entregar o leite, o produtor recebe em média R$ 0,36/litro. O pagamento é feito a cada 60 dias em cheques de terceiros. A propriedade possui duas represas ''feitas no braço'', como afirma. ''Tínhamos a intenção de criar peixes mas sem luz e sem dinheiro tivemos que desistir''.
Mesmo diante de tantos problemas, José Raimundo ainda se abre para a solidariedade. Na propriedade ele abriga um conhecido, o desempregado Dercino Subetil, 59, que morava na cidade mas sem condições para pagar o aluguel. Em um barraco de pau-a-pique, ele mora com duas filhas (uma delas também deficiente) e uma neta. Ele mantêm uma pequena plantação na área cedida pelo produtor. (C.G.)

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