Na região de Arapongas, muitos produtores da cooperativa Integrada já contabilizam uma produtividade abaixo de 30 sacas de soja por hectare, índice considerado aquém do potencial. Só para se ter uma ideia, a média da safra 2010/11 da cooperativa foi de 55 sc/ha. Até o momento, estima Janio Raimundo, engenheiro agrônomo da Integrada, a média de produtividade da atual safra está em torno de 45 sc/ha.
Raimundo acrescenta que em produção, os agricultores da regional da cooperativa em Arapongas deverão produzir 700 mil sacas de soja. Segundo ele, o volume é cerca de 100 mil sacas a menos em comparação com a safra anterior. O agrônomo da cooperativa afirma que muitos produtores estão encontrando durante a colheita impurezas, como grãos verdes e também vagens malformadas. O produtor de soja Onivaldo Dante, da região de Cambé, revela que já encontrou alguns grãos verdes na carroceria do caminhão. ''A maioria desses grãos é descartada pela colheitadeira, mas os que passam por ela geram perdas por causa da impureza'', lamenta.
Ao todo, Dante já colheu pouco mais de 20% de uma área plantada de 600 hectares - 100 a mais que na temporada anterior. O produtor estima uma perda de produção de 15%, devendo colher 35 mil sacas, ante 32 mil da safra 2010/11. Dante afirma que o prejuízo só não está sendo maior porque elevou a área de plantio. Com relação à produtividade, o agricultor calcula, até o momento, 58 sc/ha, ante 67,5 colhidas no ciclo anterior. Apesar desses números negativos, Dante se mostra otimista por causa do aumento do preço pago pela saca. ''Estou vendendo a minha soja por R$ 45 a saca''. O produtor afirma que esse valor deverá cobrir os investimentos que realizou no atual ciclo.
Raul José Cocato, produtor da região de Rolândia, já contabiliza uma perda de 30% em sua safra. Em uma área de 302 hectares, Cocato calcula produzir no atual ciclo 43 sc/ha - 15 sc/ha a menos do que no ciclo 2010/11. O agricultor explica que o prejuízo com a oleaginosa só não está sendo maior porque utilizou sementes de alta tecnologia. Por essa escolha, aliada a um manejo adequado de solo, Cocato acredita que ajudou a salvar parte da sua lavoura. Janio Raimundo, engenheiro da Integrada, afirma que produtores que obedeceram o zoneamento, fizeram correção de solo e adotaram o tratamento de sementes, tiveram um índice de perdas 70% inferior aos que não aplicaram essas práticas.
Dante enfatiza que o produtor não deve desanimar frente às intempéries. Ele já iniciou o plantio da safra de inverno e espera que o próximo ciclo o ajude a melhorar a sua rentabilidade neste ano. Ao contrário de muitos produtores focados na produção de milho, Dante continuará investindo na cultura do trigo. O agricultor explica que essa escolha foi principalmente para fazer rotação, cujo objetivo é preparar a terra para melhorar a produção na próxima safra verão. (R.M.)

mockup