Mês de cachorro louco?
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sexta-feira, 02 de agosto de 2002
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Todo ano é a mesma coisa. Quando chega agosto, começam os comentários: ''mês do cachorro louco''. A Folha Rural foi atrás da origem dessa crendice popular e comprovou que ela não é totalmente incorreta.
Agosto ganhou a fama de mês do cachorro louco porque, há alguns séculos, este era o período em que os cães se acasalavam. As cadelas entravam em cio e a cachorrada, que vivia livre, se concentrava ao redor das fêmeas. Os duelos provocavam ferimentos nos animais. Com isso, o vírus da raiva se propagava rapidamente entre eles.
A explicação para esse fato é tão simples quanto natural. O cio era registrado nessa época do ano por uma questão de sobrevivência. Sendo fecundadas nesse período do ano e levando em consideração que a gestação dos cães dura 60 dias, os filhotes nasceriam na primavera. Portanto, no inverno eles estariam mais fortes para suportarem baixas temperaturas.
Hoje, porém, esse ''mito'' não faz mais sentido, como explica a veterinária da clínica médica de pequenos animais do Hospital Veterinário (HV) da UEL, Eliane Cristina Pereira. Ela esclarece que a domesticação dos animais imprimiu mudanças importantes no comportamento dos cães. Uma delas foi que, embora ainda se verifique que muitas cadelas entram no cio entre os meses de julho e agosto, esse ciclo reprodutivo já não é mais uma regra. Além disso, o controle de doenças como essa é bem maior.
Mas o diretor do HV, Italmar Teodorico Navarro, avisa que o vírus mortal que causa a raiva ainda permanece latente, principalmente entre os animais silvestres. Caracterizada como uma doença que acomete mamíferos - caninos, felinos, bovinos, equinos, entre outros -, a raiva também pode ser transmitida ao homem (é, portanto, uma zoonose).
O principal transmissor continuam sendo os cães, seguido pelos morcegos e felinos. Ela é provocada por um vírus mortal, tanto para os humanos quanto para os animais, que atinge o sistema nervoso central. A imunização só é possível com a vacinação. Ele frisa que a vacina deve ser aplicada anualmente.
No Paraná e nos demais estados sulistas, segundo Navarro, a doença está controlada e já não são feitas mais campanhas de vacinação. Os maiores riscos estão nas regiões de fronteiras com o Paraguai e de divisa com São Paulo, e em áreas montanhosas, como nas regiões de Tamarana, São Jerônimo da Serra e Ortigueira.
Em humanos, o último óbito ocorreu em 1982, em Porecatu. Nos estados do Norte e Nordeste, entretanto, ela ainda continua fazendo vítimas. Apenas em 2000, 37 pessoas foram infectadas.


