Desde que o animal foi domesticado, há milênios, vem acontecendo um melhoramento zootécnico para a produção de carne ou leite. Muitas das técnicas usadas já foram esquecidas em favor de novos conhecimentos. Várias inovações testadas em laboratórios, logo mais serão práticas corriqueiras.
O bovino de corte, por exemplo, destacou-se como elemento histórico no desenvolvimento brasileiro, contribuindo para a ocupação territorial desde o descobrimento, e para a expansão da fronteira agrícola, até os dias atuais.
Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Kepler Euclides Filho, no artigo ‘‘O melhoramento animal no Brasil, sua história e sua arte’’, a roda ou o arado só foram inventados onde se domesticaram animais de tração.
EficiênciaNos últimos anos, de acordo com Kepler Euclides, a necessidade de aumentar a eficiência, resultou num grande número de programas de melhoramento genético que deverão, a médio e longo prazos, capacitar a pecuária de corte nacional a competir bioeconomicamente, não só com outras atividades agrícolas, mas principalmente, com o mercado externo. Este deverá ser o desafio no novo milênio.
Investimentos em melhoramento genético animal são caros e de longo prazo. No Brasil, segundo o pesquisador, iniciativas nesta área deparam ainda com problemas como a falta de qualidade de mão-de-obra e a capacidade de gerenciamento, entre outros. ‘‘Ao que tudo indica, no futuro haverá um avanço maior, impulsionado pela necessidade das atividades de produção animal serem competitivas; e pelo despertar para a importância da qualidade do produto e eficiência da produção.’’
Influência histórica‘‘A história do Brasil foi influenciada, num primeiro momento, pelos bovinos, com participação no ciclo econômico do açúcar e mais tarde, pelos equinos, no ciclo do ouro. As criações de suínos e ovinos cresceram em importância a partir do Século 16. Os suínos forneciam carne e couro e os ovinos forneciam a lã. As aves, naquela época, eram citadas nos inventários das propriedades rurais. Datam também desse período, as primeiras introduções de caprinos provenientes de Portugal e Espanha.’’
Esforço dos criadoresSegundo o pesquisador, o esforço dos criadores, ‘‘serviu e serve’’ de mola propulsora da pecuária nacional e tem sido a base para o desenvolvimento do melhoramento animal no País.
A criação para produção comercial só teve seu início no século 19, a partir das primeiras importações do gado bovino da Índia. A partir daí os animais foram criados para fixar características ligadas à forma e à beleza, o que foi importante para a padrozinação racial.
No fim do Século 19, de acordo com Kepler Euclides, começaram as pesquisas para melhoramento genético animal no Brasil. Segundo ele, neste período, foram formadas estações experimentais para seleção genética. ‘‘O cruzamento do gado existente no Brasil e o zebuíno importado, fez com que a demanda por informações no processo de melhoramento genético fosse ainda maior.’’
Raça nacionalO desenvolvimento de uma raça nacional ocorreu na década de 40. Buscou-se em desenvolver um animal que somasse rusticidade e adaptabilidade do zebu, com o potencial de produção de gado europeu. Neste período, em Nova Odessa (SP), além da seleção do caracu e raça mocho nacional, iniciou-se a criação de polled angus, hereford, schwytz e o gado red poll. Foram constituídas as raças canchim e Ibagé, seguidas nas décadas subsequentes pelas raças pitangueiras, lavínia, santa gabriela e outras.
Neste período os trabalhos foram voltados à caracterização biológica, reprodutiva e desempenho ponderal dos animais. Foi uma fase de parâmetros genéticos. Em 1949 iniciaram-se trabalhos para orientar criadores na seleção e criação de animais capazes de produzir carne em menos tempo.
No início dos anos 50, a Estação Experimental de São José do Rio Preto (SP), iniciou trabalho de seleção do gado nelore. Houve impulso também para o gado gir, já estudado na Paraíba desde os anos 30.
Ganho de pesoEm 1951 iniciaram-se as provas de ganho de peso, para identificar animais geneticamente superiores em desenvolvimento ponderal. Testes de progênies de touros zebuínos também foram iniciados. Entre 1949 e 1956 foi estudado desenvolvimento ponderal de animais das raças indubrasil, gir, nelore e guzerá. O resultado desses estudos sugeriu que provas de ganho de peso deveriam ser feitas em animais jovens. No gado leiteiro os trabalhos mostraram crescimento, eficiência reprodutiva e produção de leite de mestiços da raça guernsey e em mestiços de simental.
MelhoramentoNo final dos anos 60, o Programa de Controle de Desenvolvimento Ponderal, criado pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu, deu novo impulso ao melhoramento genético. Teve como paralelo o Programa de Melhoramento de Bovinos (Promebo), estabelecido para o gado europeu, do Herd Book Collares, do Rio Grande do Sul. O controle leiteiro continua sendo instrumento importante de avaliação para o gado de leite.
Na próxima etapa vieram a determinação de parâmetros genéticos e formação de profissionais melhor treinados na área. A seguir foram estabelecidos programas de avaliação e seleção, dentro de rebanhos de corte e de leite. O critério era constituído de peso à desmama, ao ano e aos dois anos de idade. Com o tempo foi incluído também o ganho de peso. Mais tarde, os pesos mais importantes passaram a ser na desmama e no sobreano. Retomaram-se também os cruzamentos entre taurinos e zebuínos.
AcasalamentosNo final da década de 70 e início dos anos 80, iniciaram-se as avaliações entre rebanhos, permanecendo os mesmos critérios de seleção, considerando herbabilidade e número de filhos por reprodutor.
A segunda metade dos anos 80 foi caracterizada pelo início das avaliações genéticas com acasalamentos dirigidos, diferenças genéticas, dep para todos os indivíduos, entre outras. O avanço nos critérios de seleção, não só se modificaram, mas foram ajustados às diferentes necessidades por raças ou grupos genéticos; regiões e sistemas de produção.
Neste contexto, precocidades reprodutiva e de acabamento assumiram importância cada vez maior, juntamente com fertilidade, ganho de peso e maciez da carne. A avaliação genética e o melhoramento aconteceu, de modo geral, em todas as espécies animais domésticos explorados economicamente no Brasil.

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