Mercado vive um dos melhores momentos
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Reportagem Local 
As condições climáticas e a redução da previsão da safra norte-americana continuam refletindo no preço da soja no mercado internacional. Em pouco mais de um mês, o preço da commodity na bolsa de Chicago já subiu mais de um dólar, e chegou a US$ 6,20 por bushel para maio/2004 (em torno de US$ 14/saca).
Para complicar ainda mais a produção americana, a seca acabou prejudicando a qualidade do grão que está sendo colhido: é menor que em anos anteriores, o que deve prejudicar o rendimento do óleo.
Pelas previsões inciais do Departamento de Agricultura americano (USDA), a safra deveria atingir cerca de 82 milhões de toneladas. Mas ''o último relatório do USDA apontou uma produção de 71,9 milhões de t e a tendência é uma redução ainda maior'', estima o analista de commodity da Cerealpar, Steve Cachia.
Segundo Cachia, a demanda continua aquecida e o viés de alta na bolsa de
Chicago deve permanecer. ''Somente a China deve comprar 22 milhões de
t de soja nesta safra. Além de também importar o óleo, por causa do
saturamento na logística do transporte do grão'', comenta.
O mercado ainda aguarda um relatório atualizado do governo americano, que
deve apontar uma pequena alta na produção. Entretanto, mesmo abaixo do
esperado a produção americana ainda é elevada e pode ser que haja uma
pressão por baixa no preço da commodity. ''Não esperamos uma alta
significativa e se for confirmada uma queda na produção o mercado retorna
novamente a tendência de alta nos preços'', afirma o analista.
Na Cooperativa Integrada, de Londrina, a previsão é receber mais de 520 mil
t de soja nesta safra de verão. ''Isto representa um aumento de cerca
de 15% em relação ao ano passado'', anuncia o presidente da Integrada, Carlos
Murate. Quanto ao preço pago pela soja, Murate assegura que o valor
está compensando. ''O preço de mercado está em US$ 12/saca, para
pagamento em março e abril de 2004''.
Seca nos EUA e veranico no cerrado brasileiro. Muitos produtores do
Centro-Oeste já demonstram preocupação com a escassez de chuvas na região.
Os veranicos na ápoca do plantio da soja, previstos para final de outubro,
podem prejudicar o desenvolvimento da cultura e trazer uma redução na
produção da soja brasileira.
Mas, assim como o tempo, o mercado também é imprevisível e se hoje a
tendência é de alta, nenhum analista se arrisca a afirmar quanto estará o
preço na época da colheita. De concreto mesmo, somente que grande parte da
soja brasileira vai preencher o espaço deixado pela queda na produção
americana.


