O mercado do boi gordo surpreendeu até os analistas, que esperavam um movimento fraco em janeiro, mantendo um comportamento histórico. Mesmo depois do episódio ''vaca louca'' (encefalopatia espongiforme) nos EUA, as análises continuavam conservadoras, admitindo reações, mas não imediatadas. Esta era também a visão dos pecuaristas. As análises apontavam longas escalas de abate, como ocorreu em dezembro.
De repente as escalas foram se estreitando. No Paraná a redução das escalas de abate aconteceu antes da virada do ano. Na primeira semana, o preço máximo em Maringá sustentava R$ 61,00/arroba.
Em São Paulo, as ofertas foram se tornando enxutas. Na quarta-feira a arroba subiu para R$ 62 ante os R$ 61 de dezembro. A alta ocorre também em parte de Mato Grosso do Sul, conforme José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria & Agroinformativos.
Para a alta foi fundamental a decisão dos pecuaristas em reduzirem a oferta de boi, ''pois a alta ainda não é reflexo da ocorrência do primeiro caso de vaca louca nos EUA'', segundo o analista.
Nova tendência - ''A escassez de ofertas de gado para abate no mercado do boi gordo acaba por provocar uma alta nos preços da arroba em São Paulo e e grande parte do Mato Grosso do Sul'' - informou a FNP na quarta-feira. As escalas de abate estavam se estreitando dia a dia e, em alguns casos, já estavam começando a ficar curtas - informa. Este processo resultou nos atuais reajustes de preços. No atacado os preços ficam estáveis num mercado equilibrado.
As primeiras correções de preços que estão acontecendo no mercado físico do boi gordo - e que por enquanto estão limitadas praticamente a São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná - devem se espalhar pelo País e poderão ter continuidade, se os pecuaristas continuarem a manter restrita a oferta de gado a espera de altas mais intensas nos próximos dias.
Mas José Vicente Ferraz alerta: É preciso estar atento para o fato de que esta alta ocorre, por enquanto, apenas sobre expectativas e não sobre situações concretas que a justifiquem, pois ainda não houve tempo do caso ''vaca louca'' refletir no mercado. No atacado os preços devem se manter firmes, o que é um bom indicador.
Olho no Japão - Entre os 30 países que suspenderam a entrada de carne dos Estados Unidos, o Japão é o mais forte. No ano passado importou cerca de US$ 1,2 bilhão, só dos EUA, quase a metade do que gasta com importações de carne, segundo a Confedração Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).
A bola da vez para ocupar o espaço no Japão é a Austrália. Mas a dúvida é se ela terá carne suficiente, caso o embargo perdure por muito tempo. Neste caso, apesar das restrições do Japão à carne brasileira, ainda deve sobrar espaço para o Brasil.
Ênio Marques, ex-diretor da Defesa Sanitária Animal do Ministério da Agricultura e hoje consultor de empresas para exportação, declarou à imprensa, dias atrás, que a Austrália não tem toda carne que o Japão precisa.
Ainda que as restrições à carne norte-americana não abram espaço para a carne brasileira, o crescimento das exportações está assegurado. Na mais conservadora das hipóteses o Brasil deve exportar em 2004 cerca de 1,35 mihão de toneladas para uma receita entre US$ 1,5 bi e US$ 1,6 bilhão.

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