Mercado surpreende
A queda no preço da soja que ocorreu no meio da semana não representou qualquer novidade porque todas as análises já previam esta ''fase de recesso'' do mercado. Este é um período em que o mercado ''sossega'' por falta de informações que provoquem especulação e justifiquem a troca de mãos dos títulos no mercado a termo. Internamente, é o período em que a indústria moageira nacional sai do mercado e aproveita para fazer reparos mecânicos e até limpeza no parque industrial. Ela sai do mercado porque a oferta no período é volume baixo que não justifica manter a indústria acionada.
Mas, se a queda nas cotações já era esperada, com certeza, a retomada das compras e a ascensão do preço, ontem, de maneira tão rápida, não eram esperadas pelos especialistas.
Embora impulssionada pelo dólar, a alta dos preços incorpora outras variáveis, como a baixa disponibilidade do produto. Do ponto de vista do mercado, o recuo - no meio da semana - não foi surpresa, mas a recuperação, ontem, foi inusitada. Vale frisar porque a ''baixa temporada'' da comercialização tende a ser mais longa após outubro.
No mercado interno, houve retomada do quadro de alta na maioria das praças cotadas pela FNP, informou o analista Adriano José Timossi. Houve a contribuição principalmente da forte valorização do dólar frente ao real, que acumulou alta de 2,97%, fechando o dia cotado em R$ 3,99/US$1,00.
Na semana o dólar norte-americano acumula uma valorização de 6,68%. A escassez do produto também colabora para o cenário firme do mercado.
Tem mais: a demanda firme e a resistência em se colocar o produto no mercado diante de tantas incertezas mantêm os preços fortalecidos. Uma boa recomendação - diz Timossi - é no sentido da participação no mercado atual, porque os preços podem não se sustentar, passada a turbulência cambial.
Os preços da soja (R$ 46,00, em Ponta Grossa; R$ 45,00) estão na página 2, Indicadores.
Boi em alta ----- A arroba de boi gordo voltou a subir ontem em São Paulo e no Paraná. Alguns negócios foram realizados a R$ 53,50, segundo a FNP. Alguns pecuaristas acreditam que os preços da arroba atingiram R$ 55 na próxima semana. No mercado futuro, o contrato deste mês aponta a arroba para R$ 54,80 (Agência Folha).Veja na página 2, as cotações no Estado do Paraná: em alta.
Encontro do açúcar ----- Pela primeira vez o Brasil sediará o encontro anual da Global Alliance for Sugar Trade Reform and Liberalisation, em 14 de outubro, em São Paulo. O encontro, organizado pela Unica, contará com representantes de associações de produtores e de usinas de açúcar da África do Sul, Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, Chile, El Salvador, Guatemala, Honduras, Índia, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Tailândia.
Folha Rural ----- A Folha Rural, que circula amanhã, sábado, mostra a crise que está decretando o fechamento de granjas de ovos. E depoimentos de agricultores de Cambé, Apucarana e Prado Ferreira, que adotaram uma postura bem profissional na sua atividade diária. Estão ganhando bem e investindo.
Mandioca ----- Depois de vários meses oscilando entre R$ 40,00 e R$ 45,00/t, o preço da mandioca reagiu esta semana e chegou a R$ 55,00/t para pagamento à vista, no Noroeste e Sudoeste do Paraná. O preço da fécula e da farinha também têm pequena alta. Houve aumento no consumo motivado por vários fatores entre eles a alta do milho e do arroz, afetando o consumo nas faixas de menor renda. Essa tendência deve continuar.
Uma t da raiz converte 250 kg de fécula e 320 kg de farinha. No Paraná a mandioca está presente em quase todas as regiões, mas tem seu forte no Noroeste, com produção de escala destinada à industrialização. Ao todo, cerca de 40 mil produtores se dedicam à mandioca. Há 42 fecularias e 70 farinheiras.





