A comercialização de açúcar por meio de contratos, que têm como base os preços estipulados pela Bolsa de Nova York, tem ajudado as grandes usinas brasileiras a driblar o momento desfavorável vivido pelo mercado interno. Maurício Muruci, analista de mercado da Safras & Mercado, explica que a intensificação da comercialização de açúcar via bolsa, no ano passado, sustentou as grandes corporações. "Antes não sofríamos influência do mercado internacional. As usinas perceberam que fixar preço é o melhor a se fazer", observa.
Muruci explica que, na safra 2012/13, os preços foram fixados em novembro de 2012. "Quem não aderiu à negociação, pagou mais caro em janeiro", completa. O valor do açúcar fixado em contrato pela bolsa de Nova York em novembro, por exemplo, foi de US$ 0,24 por libra/peso. Atualmente o valor de mercado é de US$ 0,17 por libra/peso. Segundo o consultor, os valores tendem a cair ainda mais por causa do início da safra.
No mercado físico, no início do ano, a saca de 50 quilos era comercializada a R$ 42. No mesmo período do ano passado, o valor era de R$ 59. Segundo Muruci, as grandes usinas têm êxito no mercado porque conseguem se estabelecer em contratos internacionais. Já as pequenas, completa ele, estão à mercê dos baixos preços. "Por isso, as usinas no Brasil estão fechando", salienta o especialista.
Muruci aponta que as pequenas estão expostas ao mercado físico. "Não conseguem facilidade ao crédito, tendo em vista o sistema ser extremamente burocrático", explica o especialista. No caso da produção de etanol, o analista informa que dificilmente o pequeno produtor tira lucro da commodity, já que o forte são as grandes usinas, que baseiam os preços na Bolsa de Chicago. "A maior parte das pequenas empresas volta-se para a produção de açúcar", explica. (R.M.)

Imagem ilustrativa da imagem Mercado só está favorável para os grandes
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