Mercado sente reflexos da crise
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sábado, 10 de novembro de 2007
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Os produtores de leite da região de Londrina estão sentindo na pele os problemas gerados pelo escândalo da adulteração do leite. As indústrias que recolhem o leite e já estão pagando cerca de 15% menos pelo produto - dos R$ 0,70 pagos pelas cooperativas antes da crise produtores recebem R$ 0,12 a menos por litro.
Segundo os produtores, a explicação das cooperativas é a queda na venda do produto, que afeta inclusive as marcas que estão de fora da lista da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa). ''O problema foi generalizado e sofremos o reflexo, independente de não ter problema nenhum'', afirma o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Narciso Pissinati. Esta semana, ele esteve reunido com produtores de Londrina, integrantes da Associação Norte Paranaense de Produtores de Leite (Anppl).
Durante a reunião eles ressaltaram os cuidados tomados durante o processo de captação do leite nas propriedades, desde os tratos com os animais, passando pela ordenha até a entrega do produto. ''Nosso leite é avaliado dentro da propriedade, com teste de acidez e temperatura. Se tiver qualquer tipo de problema, o produto nem sai dali. As cooperativas não aceitam'', afirmam.
Os produtores acreditam que as amostras recolhidas para exames pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado, vão tirar o Paraná das suspeitas de contaminação. ''Temos um produto de qualidade, rigorosamente controlado e produzido dentro das normas exigidas''.
A qualidade do leite (com uma produção média de 80 mil litros por dia) é analisada pela coordenadora do Laboratório de Análises de Produtos de Origem Animal, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanerli Beloti, que garante inclusive controle de antibiótico. Outra vantagem que ajuda a garantir a boa produção é a rotatividade de fiscais que já acontece no Estado.
Os produtores estão se mobilizando também para incentivar o consumo do produto na região, ressaltando a importância do alimento na dieta humana. ''Nossas propriedades estão num raio de 20 quilômetros de distância e temos um controle rigoroso. A população não precisa consumir um leite de fora, que ela não conhece a origem'', afirma o produtor Vilson Moro, também diretor do Sindicato Rural.
Para o produtor e presidente da Anppl, Louis Baldraz, o incentivo ao consumo de leite na região vai agregar valores e garantir incremento na economia. ''É um benefício para todos, além de fazer bem para a saúde do consumidor''.
A preocupação dos produtores de Londrina será encaminhada à Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), numa reunião em Curitiba no próximo dia 13.


