Mercado semiparalisado no Paraná
Jota Oliveira
De Londrina
O mercado de terras no Paraná manteve-se estável no ano passado e, apesar do aumento da oferta, inclusive de grandes propriedades mecanizadas ou com pasto formado, foram feitos poucos negócios. A análise é do administrador de empresas Euzoni Czelujinski, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Estado.
Em janeiro de 1999 o preço médio da terra agrícola mecanizada era de
R$3.547,63 o hectare; a mista valia R$2.013,00 e a arenosa, R$1.607,60. Em novembro notava-se que a cotação da terra mista subira para R$2.122,19 e o valor médio da terra arenosa aumentara para R$1.929,31, enquanto o preço da terra roxa caíra para R$3.405,64 (-9,85). Em qualquer caso, observa o técnico do Deral, houve poucos negócios. O valor da terra arenosa teve um aumento até significativo devido às altas da cotação do boi gordo, ao redor dos 7% ao mês, em junho e julho de 99.
Fora da realidadeOs negócios com terra agrícola são raros. O valor solicitado para venda das médias e grandes propriedades rurais geralmente não se enquadra na atual realidade do setor agropecuário, analisa Euzoni, de Curitiba. Em Londrina o economista Antônio José da Silva, também do Deral (Núcleo Regional da Seab), observa que o retorno do investimento em terra é problemático devido ao encarecimento da produção.
Apesar disso os preços da terra aumentaram no período janeiro-dezembro de 1999. Mais em função da valorização das cotações da soja. Porém, constata o corretor Samuel Parra Gimenes, da CRV Imobiliária, de Londrina, o mercado de imóveis rurais está totalmente parado, a não ser quando o comprador acha uma galinha morta, ou faz permuta de um imóvel na cidade, por exemplo, por terra rural. Os negócios envolvem grandes quantias de dinheiro e o comprador, se conseguir a prazo, precisa dar geralmente 40% na hora de fechar a transação. O restante é fechado em até três anos, com o valor transformado em saca de soja, o que inviabiliza a negociação, porque a soja está em alta e o custo da terra aumenta muito. Esta situação assusta interessados em adquirir um imóvel rural.
Por isso, complementa o economista Antônio José da Silva, os investidores preferem aplicar em ativos que dão melhor retorno. Samuel concorda: O retorno em terra agrícola hoje é mínimo, porque o valor da produção é muito alto. O administrador de empresas Euzoni Czelujinski aponta outro fator limitante em muitos municípios do Estado: as invasões de propriedades. Em Loanda, Noroeste de Paranavaí, o pecuarista Olímpio Fernandes confirma que as invasões arrefeceram o mercado da terra rural, porém observa que o ritmo daquele fenômeno diminuiu.
Enquanto o Deral constata um aumento médio do preço da terra no Estado, o corretor Samuel aponta a redução do valor da terra para gado, porém em período maior: há dois anos, recorda, a terra de pecuária na região de Londrina era cotada em UR$2.000,00 o alqueire, hoje está em UR$1.200,00. Samuel tem observado que está difícil negociar a terra, principalmente para plantio, porque o custo da produção é muito alto. Por isso, acrescenta, proprietários de pequenos lotes deficitários não conseguem mais sobreviver deles e vendem no chuta-canela, ou seja, a preço muito baixo.
Samuel tem encontrado ofertas que variam de R$8.000,00 a R$12.000,00 o alqueire, ou R$3.500,00 a R$4.100,00 o hectare. Negócios a R$12.000,00 são os mais raros e quem quiser investir na região de Sertanópolis, por exemplo, uma das mais caras zonas rurais do Paraná, pode achar alguma terra a esse preço. Mas, é difícil sair qualquer negócio, ressalva.
EspeculaçãoA elevação dos preços, em reais, do milho, soja e arroba do boi, causou especulação em algumas regiões, mas poucos negócios foram concretizados, comenta Euzoni Czelujinski. Os grandes endividaram-se com bancos, cooperativas e distribuidores de insumos, e os pequenos não conseguem viabilizar suas propriedades, geralmente por falta de escala de plantio, e as colocam à venda para tentar a sorte em outra atividade. Apesar do bom resultado em termos de produtividade na safra 98/99, a desvalorização do real, no início do ano passado, aumentou os custos de produção e reduziu a rentabilide dos agricultores e pecuaristas.
A soja, que é moeda forte para compra de terra (médias e grandes propriedades), está deixando de ser o indexador , porque o preço da terra não a está acompanhando, analisa o administrador de empresas do Deral. Ele acrescenta que para pequenas propriedades rurais geralmente o pagamento é efetuado à vista ou metade à vista e o restante na colheita. Quando ocorre algum negócio, é para incorporação a uma propriedade maior. Programas do Governo como Paraná 12 meses, Casa Feliz, Café e Pronaf, evitam que um número maior de pequenas propriedades seja colocado à venda.
Arrendamento e climaEuzone informa que aumentou a procura de áreas para cultivo da soja, enquanto a reação do preço da arroba do boi fez com que as áreas de pastagem também fôssem procuradas, sofrendo pequena valorização para arrendamento.
O problema climático (estiagem) que ocorreu em 1999 também deverá influenciar o mercado de terras em 2000, tendo em vista que a produção deverá cair e os produtores encontram-se endividados junto a bancos e cooperativas, o que deve aumentar o nível de inadimplência junto a esses estabelecimentos, conclui o técnico.





