Terminada a colheita de cevada e o agricultor Johanes Stecher comemora o rendimento e os bons preços conseguidos nesta safra. Stecher planta uma média anual de 70 ha de cevada em Guarapuava, no Centro-Sul do Paraná, região que concentra 42% da produção do grão no Estado. A maioria dos produtores que plantaram a cevada este ano, segundo Stecher, conseguiu preço médio de R$ 450 a R$ 550 pela tonelada.
Embora tivessem fixado um preço de R$ 700 a tonelada para o grão tipo 1, a serem pagos pela indústria de malte da cooperativa da região, a maioria dos agricultores teve queda de rendimento e qualidade nas lavouras em função de problemas climáticos. ''Mesmo assim estão satisfeitos com o preço e a cultura remunerou bem a maioria dos produtores'', informa o agrônomo Silvino Caus, que atende a um grupo de agricultores da região.
No setor comercial da Cooperativa Agrária Entre Rios a informação é que o preço médio pago aos produtores ficou em R$ 470 a tonelada.
Mesmo com os problemas climáticos Stecher conseguiu uma produtividade de R$ 3.450 kg/ha, o que é alta em relação ao obtido no restante do Estado. Este ano a produtividade média no Paraná, segundo dados da Secretaria de Agricultura, ficou em 1.120 kg/ha. ''O clima prejudicou a colheita e a produtividade, alguns produtores, no entanto, chegaram a colher 3.500 kg/ha ou até mais'', afirma o técnico do Deral, da Seab, Metódio Grosko.
Entre os agricultores que são associados da Cooperativa Agrária Mista Entre Rios, de Guarapuava, que absorve o grão para sua maltaria, a produtividade ficou entre 2,5 a 3 mil kg/ha. ''Houve uma quebra de 40% na safra,'' conta o coordenador do departamento técnico da cooperativa, Roberto Sattler.
Dos 350 associados da Agrária, cerca de 300 plantam a cevada. A cooperativa dá garantias de compra do produto e fomenta bons cuidados com a lavoura, que é indicada como alternativa de cultivo no inverno, indicada para a rotação de culturas e mais uma fonte de renda. Sattler confirma que a maioria dos produtores têm escolhido o cultivo da cevada em função do contrato de compra garantido pela maltaria, mas não há como ampliar a área de cultivo porque isso prejudicaria a rotação de culturas e, consequemente, o cultivo da cevada.
O agrônomo Silvino Caus explica que os agricultores devem obedecer as normas de rotação de culturas e assim não destinar toda sua terra no inverno ao cultivo da cevada; ''para não correr riscos de inviabilizar a cevada.'' Além disso, tendo trigo e cevada, existem duas opções de renda.
O cultivo da cevada também tem riscos e alto custo de produção, já que são necessários investimentos em adubação e correções no solo. Destinar toda a área de inverno para o cultivo pode aumentar o risco do agricultor. Assim como o trigo a lavoura de cevada é sensível a problemas climáticos.
O plantio é feito em meados de junho e a colheita acontece em novembro. É uma cultura que exige cuidados parecidos com o trigo e tem os mesmos riscos com geadas e chuva durante o ciclo de produção. A diferença em relação ao trigo é que a cooperativa da região dá garantia de compra da produção e paga conforme a qualidade do produto.
O cultivo da cevada foi incentivado a partir da construção de uma maltaria, no anos 80, destinada a receber o grão e transformá-lo em malte, para depois vender para as cervejarias de todo o País. Mas a produção, segundo o agricultor Stecher, é sempre menor do que o consumo da indústria. O fato leva a maltaria até a importar o grão da Argentina e de alguns países da Europa.
Segundo o coordenador técnico da cooperativa, Roberto Sattler, os cooperados têm um plantio de 16.500 ha e outros agricultores da região que plantam mais 16 mil ha que são recebidos pela cooperativa. A área de trigo é de 22 mil ha.
A maltaria recebe em média de 90 a 110 mil toneladas de grãos por ano. Na indústria o grão é transformado em malte por um processo induzido de germinação que depois é interrompido. Esse processo transforma o amido em açúcar, resultando no malte. Esse malte é usado na fabrição da cerveja. Como recebe menos do que obtém dos agricultores a indústria acaba importando cevada da Argentina e de países da Europa.

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