Em 2003 a perspectiva é de que o boi gordo deverá estar ainda mais valorizado do que em 2002. O ano promete para a pecuária nacional, especialmente para quem tem a produção de boi gordo. O cenário é favorecido pelo crescimento das exportações, a menor oferta de animais no mercado nacional e a redução nos confinamentos.
A análise é do zootecnista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Segundo ele, há muita gente segurando os bois na espera de preços melhores na entressafra, o que reduz a oferta no mercado. Outro fator que marca redução é o avanço da agricultura, especialmente da soja, ocupando espaço que antes era da pecuária.
No ano passado, no pico de preços, em novembro, a arroba chegou a R$ 60,00 em São Paulo e em outras praças os valores não ficaram muito diferentes. Esse ano já se fala em repetir a dose ou até bater nos R$ 62,00. Na Bolsa de Mercadorias as apostas já indicam R$ 64,00 para o mesmo mês.
Não se pode dizer, no entanto, alerta Fabiano Rosa, que o pecuarista vai ganhar muito dinheiro; mas quem souber trabalhar bem deverá ter boa margem na atividade. Há fatores como dólar, clima e outros, que influenciam o mercado, o custo de produção e a rentabilidade.
Nos últimos meses os componentes deste custo de produção, especialmente para o confinamento, tiveram aumentos na casa dos 60%. No caso do milho, esse índice chegou próximo dos 80%. Tudo isso deverá contar na remuneração da atividade.
''A agropecuária em geral sempre trabalha com margens estreitas e por isso o pecuarista deve estar bem preparado para comprar bem e vender bem, a fim de conseguir boa lucratividade.''
A safra de bezerros a partir de abril/maio promete uma maior oferta desta categoria de animais no mercado e indica a possibilidade de recuo nas cotações. O rebanho, de acordo com o analista, cresce a uma taxa de 3% ao ano, especialmente devido a uma retenção de matrizes nos últimos tempos, o que deverá proporcionar essa maior oferta.
Nos leilões que estão sendo realizados a demanda por esta categoria de animais tem recuado, segundo Fabiano Rosa. Perto da entrada de safra, nas pistas de remates, em anos anteriores, parte do que era ofertado tinha uma liquidez de até 80% e hoje o percentual tem ficado por volta de 60% a 70%.
Mantendo o ritmo de oferta ou aumentando o número de bezerros no mercado, normal para a safra, o analista confirma a tendência de recuo nos preços. E isso será bom para aquele pecuarista que compra, para recria, com uma relação de troca mais favorável.
Com relação ao boi magro não há expetactiva de baixa nos preços na entressafra e a maior demanda depende também do clima e da intenção de confinar. Este ano, com alto custo de grãos destinados para alimentação dos animais, há tendência de redução nos confinamentos. Isso, no entanto, só poderá ser confirmado em maio, quando inicia o fechamento.

mockup