Mercado oscilante com produtores descapitalizados
As oscilações do mercado de suínos no Estado ainda não permitiram a recuperação dos ganhos por parte dos criadores. O preço do animal durante esta semana variou de R$ 1,25 a R$ 1,30 o quilo (kg). O custo de produção fica entre R$ 1,65 e R$ 1,70, dependendo do sistema de manejo adotado, explica Irineu Wessler, que preside a Associação Paranaense de Suinocultura (APS).
Wessler lembra que os preços do animal haviam reagido após o protesto realizado por produtores em Cascavel, no início de fevereiro, quando foram distribuidas três toneladas de carne assada à população. A última queda nos preços ocorreu, segundo ele, em meados de abril, logo após o anúncio de um novo foco de aftosa no município de Japorã (MS). Foi uma reação especulatória por parte dos compradores, critica. A região, como lembra, já fazia parte das áreas sob intervenção por ser vizinha à cidade de Eldorado onde surgiu o primeiro foco da doença em outubro do ano passado.
Representantes da cadeia estiveram reunidos na última quinta-feira, em Curitiba, no esforço de tentar estabelecer um preço mínimo para o produto para a próxima semana. Não iremos vender suínos por menos de R$ 1,50 o quilo, desafia. Esse valor mínimo, continuará não cobrindo os custos de produção, mas permtirá ao menos um alívio nas contas dos produtores, avalia.
O presidente da APS afirma que a queda nos preços da carne não chegou ao consumidor que mesmo assim continua absorvendo o produto que é colocado no mercado. Hoje estamos perdendo em média R$ 0,35 a R$ 0,40/kg do suíno acabado, calcula. Ele ressalta ainda a reação do mercado do milho, que teria registrado uma elevação de 20 a 30% nos últimos dias. Foi uma elevação justa, e é esse direito de produzir com algum ganho que estamos buscando. Não podemos continuar pagando para produzir, estamos cada dia mais descapitalizados, desabafa.
A cadeia busca ainda a liberação de linhas de crédito específicos para a atividade com regras nos mesmos moldes do financiamento agrícola, como juros anuais de 8,75%. Estamos à espera de uma maior sensibilização do governo, diz.
O plantel de suínos no Estado, segundo estimativa de Irineu Wessler, é de 5,1 milhões de cabeças. A principal região produtora é o Oeste, seguida pelo Sudoeste. (C.G.)





