Mercado negro para a carne do Brasil
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sábado, 12 de dezembro de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra - Diante da valorização do real, da situação dos abatedouros no País e da recessão mundial, 2009 terminará com uma contração substancial nas exportações de carnes do Brasil e que terá implicações no mercado mundial. No setor do frango, a retração será a primeira em 15 anos. Os dados foram publicados esta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
A entidade, com sede em Roma, estima que 2009 fechará com uma queda de 6% no comércio mundial de carnes. A produção também ficará abaixo de 2008, com 282 milhões de toneladas. Outra queda é a do consumo per capta de carne, que passa de 42 quilos por ano para 4,17 quilos por pessoa.
Grande parte da queda no comércio mundial, segundo a FAO, ocorre diante da situação no Brasil. A produção no País deve ser 3% inferior a de 2008. No setor de carne bovina, a previsão é de uma contração no comércio mundial de 4,5%, totalizando 6,7 milhões de toneladas de vendas. ''Grande parte do declínio ocorre por causa do Brasil, o maior fornecedor do mundo, onde as entregas vão cair em 14%'', afirma a FAO. Entre os fatores negativos estão a queda nos preços internacionais, a valorização do real e a demanda fraca em mercados consumidores.
Para 2010, a projeção é um pouco melhor, com uma alta nas exportações de 2%. Mas ainda inferior a 2007 e 2008. O crescimento em 2010 virá essencialmente do Brasil. No setor do frango, a previsão é de uma queda na produção mundial em 2009, para 91,9 milhões de toneladas. Mais uma vez, a culpa é do Brasil, o maior exportador do mundo. A estimativa é de que a queda no País será a primeira em 15 anos no setor.
''No Brasil, o fornecimento de frango foi deprimido por causa de restrições à exportações, valorização da moeda local, falta de créditos e queda nos mercados consumidores'', afirmou a FAO. As exportações nacionais só cresceram para o Oriente Médio com a redução de tarifas de importação na Arábia Saudita. Para 2010, a previsão é de uma retomada das exportações em 4%.
Ganhos - Se o setor de carnes foi duramente afetado, o de leite e açúcar registrou lucros. A produção de leite no Brasil permaneceu inalterada em 28 milhões de toneladas em 2009. Mas as exportações brasileiras aumentaram em 40% no ano, superando pela primeira vez a marca de 1 milhão de toneladas de vendas.
A FAO destaca que, em 2002, o Brasil importava 1 milhão de toneladas de produtos derivados do leite. Mas conseguiu promover uma substituição de importação. Para proteger seus produtores, o governo chegou a impor cotas de importação.
No caso do açúcar, os preços altos ainda beneficiaram os exportadores nacionais. Em agosto, a FAO estimou que os valores do produto atingiram os níveis mais altos em 28 anos, com US$ 25,18 por libra. Em outubro de 2008, eram apenas US$ 11,9 por libra.


