Mercado não tem oferta de plantas medicinais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de maio de 2002
Marta Medeiros Equipe da Folha 
Um mercado ávido, mas que exige estudos. Maioria das espécies não tem escala de produção o que dificulta a regularidade do fonrecimento e o processo industrial
Algumas espécies, como a romã, cuja casca da fruta é utilizada como medicamento para dor de garganta, tem alta demanda e uma oferta ínfima no mercado. A situação chega a tal ponto que os atacadistas nem incluem a romã na tabela de preços fornecida para as farmácias de manipulação porque não conseguem formar estoque do produto.
Segundo o professor de farmacologia Luís Carlos Marques, do Departamento de Farmácia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), são vários os nichos de mercado à disposição dos produtores rurais interessados em plantas medicinais.
Marques explica que os distribuidores muitas vezes não tem a quem recorrer porque falta no País uma produção de escala e de qualidade. Produtos como a erva-doce, conhecido em algumas regiões como funcho, são mais baratos e fáceis de comprar importados da Turquia do que no Brasil.
Marques conhece as falhas do mercado porque também atua como assessor técnico do Programa de Fitoterapia na Rede Pública de Saúde de Maringá. Ele diz que como comprador do programa tem dificuldades em encontrar produção de espécies como o guaco, planta utilizada como broncodilator em doenças respiratórias. Outra planta que Marques precisou adquirir para o programa de fitoterapia, mas não encontrou é a Lippia, conhecida como erva cidreira brasileira. Apesar do uso popular e da facilidade de encontrar a erva em quintais residenciais, o produto não está disponível para o fornecimento em alta escala. O próprio programa municipal é um potencial comprador, mas não existem produtores rurais atuando no mercado, afirma o professor.
Para se ter uma idéia da situação, Marques conta que em outubro do ano passado - quando participou de um congresso em Curitiba sobre plantas medicinais - encontrou um fornecedor de Minas Gerais desesperado em busca de produtores de capim-limão ou capim-cidrão. A erva é comum mas não existe em produção de alta escala. Segundo Marques, o empresário mineiro tinha um comprador dos Estados Unidos interessado no fornecimento de oito toneladas mensais de capim-limão. Nos Estados Unidos, a erva é utilizada para a produção de refrigerantes.
A abrangência do mercado de plantas medicinais é interessante e praticamente desconhecida dos produtores rurais. Algumas ervas como a Lippia dão em arbustos e crescem com facilidade. O guaco é outro exemplo de planta com crescimento rápido - está pronta para colher em seis meses - e tem mercado garantido. Muitas plantas são rápidas no desenvolvimento e quase não precisam de cuidados agronômicos, lembra o professor.
Segundo Marques, outras espécies necessitam de um planejamento mais adequado por causa do tempo de crescimento, mas no entanto, também apresentam mercado disponível para a compra. Um exemplo é a espinheira-santa utilizada com eficácia para o tratamento de gastrite e úlcera. A planta precisa de pelo menos cinco anos para o crescimento. O professor diz que no caso da espinheira-santa a demanda é fora do comum, muito acima da oferta atual. Um dos motivos da alta procura pela planta é o fato de que o medicamento alopático para úlcera e gastrite é muito caro abrindo espaço para a fitoterapia.


