Mercado já reconhece capricho do produtor
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sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Érika Pelegrino<br> Folha Rural 
Benedito Moreira da Cruz é produtor de café há mais de 40 anos. Passou a infância na lavoura de café no sítio Santa Cruz, no Patrimônio Regina; já chegou a ter 100 hectares plantados e mais de 100 pessoas trabalhando. Relembrando este tempo, é com indignação que Bene - como é conhecido na região - viu a área ser reduzida a 19 ha e a propriedade ''ter que diversificar sua produção para sobreviver''. Sobreviver, não ganhar dinheiro.
O preço baixo e a falta de incentivo, são apontados pelo produtor como os responsáveis por este declínio. Na última colheita, com o preço da saca chegando a U$ 35, ele viu mais de 200 mil pés de café serem arrancados.
Eram mais 30 famílias que deixavam as plantações para viver a miséria nas cidades. ''É um problema social'', afirma.
A virada - Apaixonado pelo café, Bene da Cruz, há quatro anos encontrou uma forma de driblar os preços baixos para não desistir das plantações. Ele passou a fazer a colheita no pano para conseguir o café tipo 6 de bebida dura para exportação.
Semanas atrás, quando o preço começou a reagir e estava a U$ 110,00 a saca, ele já tinha conseguido U$ 120,00. ''Hoje (dia 11) parece que está U$ 135,00'' - para cafés escolhidos. Na opinião do produtor, o capricho no cultivo e na colheita são indispensáveis. Muitos, segundo Bene da Cruz, misturam o café colhido no pano com o de varreção. Por isso não conseguem o tipo 6.


