Mercado incentiva produtores do safrinha
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sexta-feira, 07 de março de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Plantar a segunda safra do milho tem sido nos últimos anos uma opção aos produtores, a despeito de todos os riscos que envolvem a cultura. Neste ano, o bom desempenho da agricultura e os preços alcançados na negociação da safra trazem um novo ânimo aos produtores. Porém, o entusiasmo deve ser acompanhado da cautela necessária a esta atividade.
O atraso da safra de verão provocou reflexos também no plantio do milho safrinha. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) prorrogou o prazo do plantio, que passou do dia 10 para o dia 31 deste mês. A medida atende solicitação da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
As perspectivas para o safrinha são promissoras. O forte aumento da demanda de milho para a produção de etanol nos Estados Unidos abriu espaço para as exportações brasileiras, que somaram volume recorde de 11 milhões de toneladas, ''enxugando'' o mercado interno e pressionando as cotações do cereal.
O Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab) estima um aumento de área plantada de 8,1%, com o cultivo de 1,6 milhões de hectares. O Deral divulgou também a previsão de produção de 6,3 milhões de toneladas de milho, 13% maior que a safra do ano passado. Porém, os produtores terão que desembolsar mais dinheiro para custear a lavoura, o aumento dos insumos, sobretudo de fertilizantes (em torno de 49%) é o principal culpado.
Conhecendo os riscos da segunda safra, o produtor deve se basear em alguns critérios que podem ser determinantes para o seu êxito. ''Quem plantar material de ciclo médio ou tardio pode ter problemas'', alerta João Henrique Caviglione, agrônomo da área de sensoriamento remoto do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Segundo ele, o produtor deve levar em conta o histórico da propriedade, as variações de solo e da produtividade e saber, por exemplo, as áreas onde a geada pode afetar a cultura.
Avaliação do clima é um dos critérios importantes. Este ano, a preocupação é com uma eventual geada forte em plena segunda safra. Como explica Caviglione, existe uma regularidade na ocorrência de geadas de maior intensidade nesta região a cada seis ou sete anos. ''A última geada forte aconteceu em 2000'', lembra o pesquisador, ressalvando que não é possível afirmar com precisão que isso vá de fato acontecer. O andamento das culturas também poderá sofrer os reflexos do La NiÀa, fenômeno que provoca instabilidade, com períodos mais chuvosos.
Antônio Carlos Gerage, da área de melhoramento e genética vegetal do Iapar, confirma as orientações de Caviglione. ''O produtor deve optar por materiais precoces, que não vão sofrer os efeitos de um frio rigoroso na época da frutificação e enchimento de grãos'', afirma.
A finalidade do cultivo, segundo Gerage, vai determinar a escolha entre um milho variedade e um híbrido. Se o produtor fizer um bom investimento na lavoura deverá optar por um híbrido, que lhe garantirá maior rendimento. Ao contrário, as variedades têm custo menor e terão também um menor resultado.


