Mercado futuro estabiliza preços de fertilizantes
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
O aumento dos preços das commodities no mercado futuro e a redução do custo dos fertilizantes, sobretudo os nitrogenados, provocaram uma reação no volume comercializado em janeiro. No mês passado, em todo o Brasil foram entregues mais de 1,3 milhão de toneladas - em dezembro o volume chegou a 977 mil toneladas. A expectativa é de que até março as compras continuem nesses patamares, pois é comum os produtores anteciparem a aquisição de adubos e fertilizantes neste período.
''Ainda é cedo para falar em 2009, mas houve uma reação no mercado, embora não se tenha alcançado os níveis de janeiro de 2008, quando foram entregues 1.857 mil toneladas'', diz Eduardo Daher, diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Segundo ele, em 2008 houve uma grande antecipação de compra nos primeiros nove meses do ano.
O diretor da Anda afirma que, em média, os fertilizantes tiveram uma redução de 15%. A maior queda foi registrada nos produtos nitrogenados, em função do preço do petróleo. O volume de compra neste período é maior também porque os nitrogenados são utilizados para adubação de cobertura.
Daher afirma que bons resultados na Bolsa de Chicago motivam produtores a investir em tecnologia. Quem comercializa a produção no mercado futuro se beneficia da boa remuneração e também do câmbio. ''Hoje paga-se mais reais por dólar e a relação de troca da soja é bem vantajosa'', compara.
O bushel da soja no mês de janeiro ficou em US$ 10,00, bem abaixo dos US$ 14,00 alcançados em junho do ano passado. Porém, o câmbio agora passa dos R$ 2,00 - na última quarta-feira chegou aos R$ 2,37.
No Paraná, segundo a Anda, o volume de entrega de fertilizantes é similar ao nacional. A comparação entre os meses de janeiro dos últimos três anos demonstra sinais de estabilidade. Em janeiro deste ano foram compradas 267 mil toneladas de fertilizantes 12% a menos que no mesmo período de 2008. ''Porém, temos um incremento de 7,7% em relação a janeiro de 2007, quando foram entregues 248 mil toneladas'', diz Daher.
O diretor da Anda diz que apesar da crise, que é fundamentalmente de crédito, existem boas perspectivas para o agronegócio. ''Embora haja redução de demanda mundial as pessoas vão continuar se alimentando'', afirma Daher. Para ele, o Brasil também vai se beneficiar da decisão do presidente Barak Obama de restringir o subsídio aos produtores norte-americanos.
De acordo com a Anda, o Brasil é o quarto maior comprador de fertilizantes do mundo, responsável por 6% de todo o consumo. Em 2007, a entrega de fertilizantes no país foi de 24,6 milhões de toneladas, passando para 22,4 milhões de toneladas em 2008. A produção foi de 8,8 milhões de toneladas e as importações apontaram 15,5 milhões de toneladas.®MDBO¯®MDNM¯


