O Escritório Regional do Ministério da Agricultura (ERMA) em Londrina realizou, no último dia 22, reunião com várias entidades ligadas à produção, comercialização e fiscalização da carne, para discutir a possibilidade de implementação da portaria que trata da distribuição de carne desossada e embalada no município.
Na reunião do último dia 22 ficou marcado novo encontro no dia 16 de dezembro. Desta vez uma comissão composta por pessoas de todo o segmento produtivo irá discutir a possibilidade de implantação da portaria para o começo de 97. Por força do mercado, segundo o chefe do escritório do Ministério da Agricultura em Londrina, Francisco Marques, todos os envolvidos no segmento da carne deverão ir se adequando ao novo modo de comercialização.
Nas capitais O sistema já está em vigor, desde agosto, nas cidades de São Paulo e Porto Alegre (RS) e, a partir de 4 de janeiro de 97, será implantado na Região Metropolitana de Curitiba. A portaria deverá começar a funcionar também em janeiro nas cidades de Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO), Salvador (BA) e Vitória (ES).
Em Curitiba, diferente de São Paulo e Porto Alegre, a abrangência será também para a Região Metropolitana, em cerca de 10 municípios (Araucária, Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais, Piraquara, Pinhais, Quatro Barras, Campina Grande do Sul, Colombo, Almirante Tamandaré e Campo Largo). A portaria deverá atender 2 milhões de habitantes somente na grande Curitiba.
‘‘Hoje os frigoríficos do Norte do Estado que abastecem o mercado de São Paulo já estão adequados ao novo sistema’’, garante o chefe do Serviço de Inspeção Federal do Estado do Paraná, Carlos Roberto Conti Naumann. Ele esteve em Londrina na semana passada, para falar do exemplo de Curitiba, que desde maio deste ano está discutindo o assunto para a implantação do serviço. ‘‘Quem procurou outros mercados, como o de Curitiba, por exemplo, a partir de janeiro terá que cumprir as exigências da portaria’’, afirmou.
Abate oficial Naumann acredita que na Região Metropolitana de Curitiba a nova maneira de comercialização da carne deverá aumentar o número de abates com inspeção e, portanto, reduzir o abate clandestino. ‘‘O aumento deve girar de 30% a 40%. O maior benefício será para o consumidor que terá a garantia de consumir produto de boa qualidade.’’
Em outras localidades do Paraná, como Ponta Grossa e Maringá, já existe intenção de discutir a implantação do serviço. Na Região Metropolitana haverá uma particularidade no funcionamento da portaria do Ministério da Agricultura. É que naquela região do Estado verificou-se a tradição de consumo de carne com osso, principalmente a carne de segunda. Portanto, algumas partes do bovino, por exemplo, poderão ser comercializadas com osso, desde que seja dentro das normas ditadas pelo Ministério da Agricultura.
De acordo com Naumann, a adoção da portaria deverá ser uma decisão conjunta de todos os segmentos da cadeia produtiva. Ela vale não só para carne de bovinos, mas abrange bubalinos, suínos, aves e caprinos. Exceto a produção avícola, a indústria de outras carnes no Brasil não está preparada para aderir à portaria. Hoje os frigoríficos fazem o abate e separam a carcaça em dianteiro e traseiro; congelam e mandam para o mercado.
Como funciona A partir da adesão à portaria, não haverá mais a figura daquela pessoa descarregando peças inteiras nas costas, na frente de açougues e supermercados. Para as indústrias é necessário fazer adaptação de salas de desossa e preparar embalagens. Além disso, a carne deverá ter um rótulo-lacre com informações de procedência, nome do corte, identificação, sexo do animal abatido (bovino e bubalino), temperatura de conservação, data de validade e produção.
Pela nova portaria o açougueiro só poderá vender carne para o consumidor. Se quiser ser um fornecedor de cozinhas industriais, hospitais, restaurantes e outros estabelecimentos, deverá ter sua sala de desossa e cortes especiais, além do serviço de inspeção municipal, estadual e federal. O açougueiro poderá vender no balcão a carne em cortes ou moída, mas terá que conservar, por exigência da fiscalização, a embalagem de origem da carne.
Alerta e multa A fiscalização ficará a cargo do Ministério da Agricultura, Serviço Estadual de Inspeção e Secretaria de Vigilância Sanitária Municipal. A penalidade para quem não cumprir a lei será de 1.000 a 10.000 UFIRs, dependendo do estabelecimento. Numa primeira autuação o dono será alertado para se enquadrar. Na segunda visita o fiscal multará e fechará o estabelecimento. Quem não se adequar, terá que mudar de ramo.
Hoje o maior desafio para os técnicos, segundo Naumann, é convencer o consumidor a aceitar a nova maneira da comercialização da carne. ‘‘Se o consumidor aceitar a idéia, a indústria vai atrás de produzir o que ele deseja’’ . A adesão poderá resultar numa parceria entre grandes atacadistas, redes de supermercado e indústria para atender os desejos dos consumidores.
Abates oficiais No Paraná, historicamente, o abate está por volta de 70 mil bovinos/mês, com maior concentração (80%) no Norte e Noroeste. Parte desta carne vai para os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro e outra para Curitiba. O abate de suínos é de 130 mil animais por mês e de aves está em torno de 36 milhões por mês. Os números são de abates oficiais, inspecionados.
O Sindicato da Indústria de Carne e Derivados do Estado do Paraná já teve 50 associados. Hoje são 25 empresas, sendo apenas 18 atuantes, concentradas mais no Norte a Noroeste do Estado.
A produção de carne inspecionada é de 2.500 toneladas/mês. Cerca de 30% dessa carne vão para fora do Estado. A portaria, segundo o presidente do Sindicato da Carne, José Aparecido Thomazelli, é positiva já que servirá para identificar o produto, origem, qualidade e conservação da carne e combater a carne clandestina que concorre diretamente com as indústrias.
Numa primeira etapa a adesão, segundo Thomazelli, aumentará a despesa dos frigoríficos. Mas o investimento, de no mínimo US$ 1 milhão para sala de desossa e embalagem, deverá ser compensado, de acordo com Thomazelli, pelos benefícios na redução do frete e na venda do sebo e do osso que ficam no frigorífico. Segundo o dirigente, a indústria não está preparada, ‘‘mas sente necessidade de se modernizar. O investimento para desossa é um caminho para salvar o setor, que está descapitalizado e não tem margem de lucro.’’

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