Mercado exige café de qualidade
Melhorar o tipo e a bebida do café paranaense é o desafio que será lançado aos técnicos e cafeicultores que estarão reunidos no dia 14 de abril, em encontro promovido pela Sociedade Rural do Paraná, Governo do Estado e Ministério da Agricultura e Abastecimento, durante a Exposição 99, no Parque Ney Braga, em Londrina.
Para o agrônomo Rafael Figueiredo, da Emater, uma das empresas que organizam o Encontro Técnico da Cafeicultura Paranaense, o cafeicultor paranaense precisa agregar mais valor a sua produção. E isto só pode ser alcançado, melhorando a qualidade da colheita e o processamento do grão no terreiro.
Para atingir esses objetivos, será lançada a Campanha Estadual de Qualidade Café Paraná que pretende mudar a imagem do café paranaense, desgastada ao longo dos últimos anos, para atingir a qualificação bebida dura, padrão tipo 6, ou seja, um produto competitivo no mercado nacional e internacional.
ColheitaO momento de lançamento da campanha é bastante oportuno, segundo Rafael, porque o produtor pode se preparar para o próximo período da colheita, que vai de agosto a outubro. Segundo o agrônomo, a colheita no Paraná ainda é feita predominantemente no chão. Dados divulgados pela Emater mostram que a derriça no pano ainda é feita em 64% das propriedades. É preciso urgentemente mudar esta realidade. A colheita no pano não onera o custo de produção, nem é mais difícil do que a colheita no chão. É só uma questão de mudar o hábito do produtor, comenta Rafael.
Outra recomendação é fazer a colheita parcelada, no mínimo duas vezes, para não misturar o café maduro com o café verde. Deve-se evitar também deixar os grãos secarem nas árvores. Nas regiões mais quentes o problema é pior, porque o grão seca mais rápido e pode fermentar. E não regiões de clima mais ameno o risco está em colher verde, comenta Rafael.
O novo modelo tecnológico de cultivo de café adensado no Paraná já tem forçado, de certa maneira, a colheita no pano, mas o índice ainda é baixo. Rafael explica que ainda há falhas também no processo de secagem no terreiro e no armazenamento, principalmente em relação ao teor de umidade.
ComercializaçãoMuitas vezes o produtor pensa que colher café com qualidade não compensa, porque o diferencial de preço é quase insignificante, mas segundo Rafael o produtor deve buscar a qualidade e fazer uma comercialização diferenciada.Até agora 86% da produção paranaense são comercializados em coco, o que realmente não garante nenhum diferencial de qualidade para o produtor, só beneficiando o intermediário que fará a classificação depois, explica Rafael.
A campanha pretende incentivar os produtores a fazerem o beneficiamento na propriedade, o que já vem sendo feito em alguns municípios, pois além de ganhar na comercialização, o produtor ainda ganha, ficando com palha do café, um subproduto muito importante que hoje fica com o intermediário.
Atualmente, o café de qualidade que é produzido no Paraná é comercializado como café de Minas Gerais, devido à péssima imagem do café paranaense, comenta Rafael. É preciso mudar esta imagem, e isto depende basicamente do produtor adotar algumas técnicas simples e estar atento na hora da comercialização. É preciso que o produtor tenha uma linha de crédito, para conseguir fazer uma venda parcelada da sua produção, defende Rafael.
RealidadeExistem no Paraná, de acordo com dados divulgados pela Emater, 17 mil cafeicultores, que cultivam uma área de 129.000 ha distribuidos em 210 municípios de 10 macroregiões produtoras. Mais da metade das propriedades (52%) são propriedades com área entre 10 e 50 hectares. A maior parte dos pés de café do Paraná, 63%, ou seja, mais de 200 milhões de pés, estão em idade produtiva.
MetasSegundo diagnóstico da Emater, a falta de qualidade do produto paranaense, aliada a má-fama, fezer com que o Paraná deixasse de ganhar US$8,45 milhões por ano nos últimos 18 anos (total de US$152,1 milhões no período), comparando-se os preços recebidos pelos cafeicultores do Paraná em relação aos valores médios praticados por produtores de outros Estados.
Para reveter esta situação, pretende-se alcançar nos próximos anos algumas metas, como: elevar o índice de colheita no pano, dos atuais 36% para 75% até o ano 2002 e aumentar a comercialização de café beneficiado de 14% para 60%. Só este último item pode proporcionar um incremento de receita total, no setor produtivo, de R$42,6 milhões até o ano 2002.Mário CesarEstímuloSegundo o agrônomo Rafael Figueiredo, melhorar a qualidade do café vai agregar mais renda para o produtorCristina Côrtes





