A demanda por carne de carneiro tem superado a oferta do produto no mercado atualmente. Nesse contexto, a ovinocultura tornou-se uma ferramenta rentável para os pequenos produtores. Baixo investimento, facilidade de manejo e curto período de cria, recria e engorda são as vantagens desta prática, que tem demonstrado retorno financeiro rápido e lucro acima da média do setor agropecuário.
Para impulsionar este segmento, o governo do Paraná vai disponibilizar, nos próximos cinco anos, R$ 7 milhões para estruturar a cadeia produtiva. Hoje, o Paraná tem 600 mil ovinos, 5% dos 14 milhões que compõem o rebanho do País. O programa irá privilegiar os pequenos criadores, que representam 34% das propriedades do Estado.
O professor Francisco de Assis Macedo, diretor técnico da Associação dos Criadores de Ovinos do Norte e Noroeste da Região de Maringá (Ovinomar), explica que cada produtor deverá receber cerca de R$ 40 mil em incentivos, que deverão ser pagos em até três anos, com juros de 5% ao ano.
O ovinocultor José Tieo Takahashi, de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), é um dos criadores que deverá ser atendido pelo programa. Ele aponta que o incentivo do governo, aliado à mudança de hábito do consumidor, criou uma demanda reprimida na região de Londrina, abastecida pelo Núcleo dos Criadores de Ovinos do Norte do Paraná (Ovinorte), presidido por ele. Hoje, o Ovinorte conta com 15 associados, responsáveis por 10 mil matrizes.
''A estimativa é de um consumo semanal de 5 mil quilos de carne de carneiro só em Londrina, enquanto que a produção local não consegue abastecer nem a metade deste volume'', diz Takahashi. Ele defende a entrada de novos criadores no mercado. ''Além de padronizar a produção, a meta do núcleo é dobrar o número de criadores associados nos próximos anos'', afirma.
O professor Macedo ressalta que o potencial de consumo de carne de carneiro, hoje, no Brasil, gira em torno de 1 quilo/per capita/ano, sendo o Rio Grande do Sul o maior produtor e consumidor de ovinos, com um consumo per capita de 4 quilos/ano. ''No Paraná, o consumo é de 2 quilos/per capita/ano'', aponta.
De acordo com o professor, seria necessário um rebanho de 40 milhões de cabeças para suprir a demanda nacional. No Paraná, o número de ovinos deveria ser 5 milhões. Para atingir essa quantidade de animais, serão necessários 29 anos, levando em conta apenas o crescimento do rebanho e a manutenção dos índices de consumo e populacional. ''O Paraná, por ter um consumo maior, precisaria de 70 anos para superar a demanda'', calcula.
Segundo Macedo, a carne ainda lidera as vendas, mas os subprodutos dos ovinos estão ganhando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. O sangue e as vísceras não comestíveis, como baço, cabeça e pés, são usados na fabricação de ração para cães e gatos. Já os míudos comestíveis, como fígado e coração, servem de ingrediente para a buchada, prato típico do Nordeste. As tripas são usadas na fabricação de embutidos. ''Das tripas também é feito o fio catgut, usado em cirurgias pela sua capacidade de ser reabsorvido pelo organismo'', assinala.

Serviço Para receber treinamento e saber mais sobre as técnicas da ovinocultura, procurar o professor Francisco de Assis Macedo no telefone (44) 9961-0357.

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