Tradicionalmente, a aveia, assim como as demais culturas de inverno, não tem liquidez no mercado. O economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Pedro Loyola, ressalta que culturas alternativas de inverno, como aveia, canola e cevada, possuem um mercado restrito e, por isso, só devem ser plantadas caso o produtor já possua contrato de venda da produção. ''O trigo tem um consumo maior, mas, proporcionalmente, o problema é o mesmo. Quem opta pela aveia, pensa pelo ponto de vista agronômico e é importante que o produtor tenha essa visão de que, no sistema geral, terá ganho econômico '', ressalta.
O produtor Carlos Tsuyoshi Kamiguchi lembra que nos anos 2000 a área cultivada com aveia na região de Mauá da Serra cresceu tanto que chegou a ultrapassar a de trigo, mas nos anos seguintes, o estoque cheio freou a comercialização e, consequentemente, reduziu o plantio. Kamiguchi costumava plantar metade da área com aveia no inverno, mas nesta safra a oferta do produto está alta no mercado e, por isso, também dividiu área com milho. ''Corro risco plantando milho aqui na região, a intenção é plantar aveia, mas não tem mercado'', afirma. Segundo o coordenador técnico da Integrada, Gilberto Takeo Yano, a vontade dos produtores é ampliar o cultivo da gramínea, mas o mercado não comportaria a produção.
Segundo o diretor industrial da SL Alimentos, Thomaz Setti, o motivo principal dessa situação é que a aveia possui demanda fixa, com variação próxima ao crescimento vegetativo da população. Segundo Setti, o interesse em produtos integrais e de alta fibra tem apresentado crescimento no Brasil, devido à preocupação com o aumento da obesidade e de outras doenças como o diabetes e a hipertensão. ''Porém, essa tendência não tem se refletido em aumentos sensíveis de demanda de ingredientes'', argumenta.(M.F.)

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