Seguindo o conceito do café sustentável - produzido de forma sustentável tanto do ponto de vista econômico como trabalhista e ambiental - Shigueo Yamamoto segue alguns princípios da agricultura orgânica. As culturas, café e frutas, convivem harmoniosamente com o mato, que garante cobertura além de fornecer matéria orgânica ao solo.
Na condução da lavoura ele tem a ajuda de dois parceiros, mas no pico da colheita contrata trabalhadores temporários. O produtor faz a cata seletiva dos grãos no pano ou na peneira, ''com três repassagens nos pés. O que fica para trás é varrição'', ensina. No terreiro, o cuidado é com a separação dos grãos, em cinco grupos - cereja, verde, bóia, catação geral e varrição.
Os cafés separados de melhor qualidade vão para secagem em terreiros suspensos com cobertura parecidas às de estufas, ''para secar mais lentamente e deixar o café mais saboroso'', justifica Yamamoto. Na construção das tulhas ele optou pela madeira, ''para não absorver umidade''.
Ainda atento à produção sustentável, o produtor criou um sistema de aproveitamento da energia dos ventos - a eólica -, construída com tambores plásticos. A energia é utilizada para puxar água da mina e levar a um tanque em um ponto elevado da propriedade. De lá, pelos princípios da lei da gravidade, a água é aproveitada na irrigação das frutíferas.
Para o próximo ano, o produtor planeja construir um tanque em concreto para aproveitar a água utilizada nos processos de lavagem, descasca e despolpa dos cafés. ''A mucilagem desprendida dos grãos é rica em potássio, mas é também altamente corrosiva. Assim posso dar uma destinação correta a esse produto e ainda lucrar com mais um mineral para a adubação da lavoura'', conclui.
Todos esse cuidados, como destaca Yamamoto, não visa um lucro imediato. Mas a conquista de um mercado que conceda preços diferenciados. ''Temos que buscar uma redução nos custos e perimitir que produtor participe mais da lucratividade. Na atualidade, estou pagando para você tomar o meu cafezinho.'' (C.G.)

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