Cristina Côrtes
De Londrina
Que tal entrar num mercado que cresce de 5 a 10% ao ano no mundo, movimenta no Brasil 500 milhões dólares/ano, e dá uma renda bruta de R$2.000 a R$4.500 por hectare/ano? Estes são os números do mercado de plantas medicinais, muito convidativo, mas quem quiser entrar, precisa saber que é um nicho que exige do produtor conhecimentos específicos.
Estas informações foram dadas pelo agrônomo da Emater, Cirino Corrêa, que fez palestra na semana passada em Londrina, e destacou: ‘‘Cultivar plantas medicinais, aromáticas ou condimentares com objetivos comerciais é muito diferente de plantar milho e soja.’’
Produção programadaO mercado comprador desse tipo de produto exige qualidade na produção, na manipulação, armazenamento e cultivo totalmente orgânico, pois estamos falando de remédios. ‘‘O produtor de plantas medicinais tem que conhecer bem a planta, sua origem, exigências e cultivo, as indicações terapêuticas, como colher, secar e armazenar, para conservar seus princípios ativos, entre outras coisas ’’, comenta Cirino.
Outro fator fundamental para quem quer ganhar dinheiro com este tipo de plantas é fazer contatos com possíveis compradores, antes de plantar, para saber a espécie que interessa, a quantidade que desejam, evitando investir e não ter retorno. Segundo Cirino, 50% do mercado de plantas medicinais compram qualquer tipo de produto e pagam mal. A outra metade exige qualidade, remunera bem e compra sempre.
A farmacêutica e bioquímica Audrey Garcia Lonni, da empresa Krys Belt, confirma a afirmação do técnico e comenta que a qualidade neste mercado é fundamental: ‘‘Temos necessidade de uma matéria-prima padronizada e livre de contaminação, porque isso vai interferir no gosto do chá, na cor e no princípio ativo’’.
Segundo Audrey, o material vem do produtor, contaminado com bactérias e fungos, exigindo a esterilização que é feita com raios gama. ‘‘É um processo feito por uma empresa em São Paulo, que aumenta muito os nossos custos’’. A empresa compra mensalmente 6 toneladas de carqueja seca, que vem do Sul de São Paulo e Minas Gerais, e está interessada em ter fornecedores mais próximas. Ou seja, quer comprar de produtores da região de Londrina, onde está instalada. ‘‘Estamos dispostos a orientar os produtores e até fazer um trabalho conjunto com a Universidade, para estimular a produção’’, diz Audrey.
OrganizaçãoAs iniciativas que têm dado certo no cultivo de medicinais são as em que os produtores se organizam num trabalho integrado com indústrias e atacadistas. No Paraná a umidade relativa do ar em geral é alta, em torno de 85%, e inviabiliza a secagem natural no ambiente, exigindo a instalação de secadores. Além disso, é necessária uma infra-estrutura com local para armazenar. O secador pode ser a lenha ou a gás, e a temperatura deve ser controlada, para que a planta não perca seu princípio ativo. ‘‘Em algumas regiões, os produtores têm feito secadores comunitários e também local para armazenar. Como as compras dessas plantas são mensais, e a produção é por safra, o produtor precisa de um local adequado, para guardar a produção.’’
O custo de produção destas plantas, segundo o agrônomo da Emater, Cirino Corrêa, é de aproximadamente R$500 a R$1.500/ha/ano, e proporciona uma receita bruta de R$2.000 a R$4.500 ha/ano. ‘‘É preciso um investimento em estrutura básica para produção, e o tempo para início do retorno desse investimento é de 3 anos’’. A atividade requer grande quantidade de mão-de-obra, e uma assistência técnica especializada. Em média são necessários 3 trabalhadores fixos e até 10 sazonais/ha.
Como se tratam de remédios, a produção requer que o cultivo seja conduzido dentro das práticas da agricultura orgânica: sem agroquímicos, com rotação de culturas, cultivo em faixas, diversificação de espécies, adubação orgânica e verde, controle natural de pragas e doenças.
O Paraná é o maior produtor de plantas medicinais do Brasil. ‘‘Produzimos 250 toneladas de camomila, cultivo que envolve aproximadamente 200 produtores, na região Sudoeste.’’ O maior programa municipal de utilização de plantas medicinais é em Curitiba, onde 60 postos de saúde fazem uso de produtos fitoterápicos, informau Cirino.
CongressoUma boa oportunidade para quem trabalha com plantas medicinais ou pretende entrar na atividade é a realização do 1º Congresso Sul Brasileiro de Plantas Medicinais, que será realizado de 5 a 9 de outubro, em Maringá. O congresso está sendo organizado pela Universidade Estadual de Maringá e vai englobar temas sobre cultivo, utilização, aspectos químicos e biológicos, controle de qualidade e mercado para fitoterápicos.

mockup