Mercado é dominado por quatro empresas
O mercado do café é dominado por quatro grandes multinacionais: Nestlé, Sara Lee, Kraft e Procter & Gamble. Juntas elas detêm 60% do mercado. ''Para agregarmos valor ao produto há necessidade de agirmos da mesma maneira que as grandes empresas'' - segundo Ricardo Strenger. Ele explica que elas foram agressivas comprando pequenas empresas para dominar o mercado brasileiro e, a partir daí, exportar café torrado e moído para suas filiais no exterior. ''Nós brasileiros jamais conseguiremos agregar valor ao café através de exportação de café torrado e moído pois as barreiras são enormes no sentido de proteger as indústrias do Primeiro Mundo. Portanto, a única maneira seria exportar o grão cru para as nossas próprias empresas no exterior, agregando valor só que através de um café torrado lá, no mercado consumidor.
A ABCA tem outros objetivos no sentido estrutural como a normatização da qualidade do grão cru que já foi objeto de uma instrução normativa do Ministério da Agricultura mas que foi abandonada. ''É importante certificar a qualidade do café. Através da identificação por um selo que será fornecido pela própria ABCA'', afirma Strenger.
''Temos que ter um plano de reestruturação da cafeicultura brasileira que dê suporte ao produtor, capacitando-o com medidas estruturais que evitarão oscilações de preços afastando do mercado os especuladores. É lutar para que o café deixe de ser uma commodity.
Segundo Strenger, o café brasileiro tem excelente qualidade e em especial o café paranaense, que evoluiu para essa qualidade através do projeto Café Qualidade Paraná. Hoje produzimos 80% de café bebida dura de excelente qualidade.
A má qualidade é produzida pela indústria. O café que ela compra do produtor é excelente, ele é tipificado e pago de acordo com a qualidade.
A indústria mundial se interessa por café de baixo preço e que esteja disponível, fazendo adições exageradas de café robusta, que é mais barato. ''Isto derruba a qualidade e aumenta o nível de cafeína, o que provoca queda no consumo. Como a qualidade é fator subjetivo, o que nos interessa é que esta seja informada ao consumidor atavés da rotulação - idéia que é rejeitada pela indústria. Mas é preciso mostrar o que tem na embalagem, com informações no rótulo. Afinal, o melhor café é aquele que você gosta'', finaliza Strenger.





