Mercado é bom para peixes ornamentais
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Vindos da zona urbana para o campo há cinco anos, o casal Márcia e João Luiz Schwab, de Londrina, encontraram na criação de peixes ornamentais uma alternativa de renda para sobreviver na pequena propriedade. No sítio de seis alqueires em Guaravera (zona sul) pertencente a Akira Kuriyama, pai de Márcia, onde vivem com dois filhos, eles começaram a criar peixinhos de aquário após investirem sem sucesso em outras atividades.
Criadores há dois anos, eles consideram que até o momento viveram a fase de aprendizagem do negócio, por isso ainda não possuem escala regular de comercialização. Diante das boas perspectivas do mercado da região, que ainda compra grande parte dos peixes em outros Estados, se preparam para aumentar a produção e assim garantir a constância no fornecimento. A meta para os próximos 18 meses é alcançar uma renda de R$ 3 mil, a ser dividida entre João Luiz, a esposa e uma cunhada. É o mínimo para ser auto-sustentável, comentou o produtor.
Mercado aprova
O comerciante de peixes ornamentais Sérgio Toshio Noguti compra os peixes da família de João Luiz há um ano e garante que o negócio é compensador. Ele informou que vale a pena adquirir de produtores da região para evitar que os peixes sejam transportados por longos percursos, o que causa estresse nos animais e aumenta as perdas.
Segundo ele, Londrina ainda tem poucos criadores, que não dão conta de atender o mercado da região. Com certeza há espaço para absorver maior volume de produção, analisou.
Tentativas
Márcia e João Luiz eram bancários em Curitiba e vieram para Londrina quando o pai dela comprou o sítio em Guaravera. No primeiro ano na zona rural, a família investiu na lavoura tradicional de grãos mas, como não tinha máquinas próprias, acabou levando prejuízos. No ano seguinte tentaram a olericultura, que se mostrou rentável, mas desistiram por causa da necessidade de lidar com agrotóxicos.
A terceira investida foi no cogumelo shiitake. A atividade foi bem até as fortes geadas de 2000, quando perderam 80% da produção porque a madeira utilizada para cultivar os cogumelos congelou. Na mesma época, Márcia começou a criar alguns peixes por hobby em uma caixa dágua e um tanque de concreto.
Obra do acaso
Os animais se reproduziram e alguns acabaram escapando para um tanque de tilápias que eles mantém na propriedade. Quando passamos a rede, retiramos cerca de cem peixes kinguio, alguns com 20 centímetros, contou João. Diante da surpresa, Márcia foi a uma loja especializada, ofereceu os peixes e atraiu a atenção do proprietário, que comprou todos e disse que tinha interesse em adquirir maior volume. Começamos quase por acaso, disse o produtor.
A comercialização ainda é irregular porque eles não têm escala de produção suficiente. A cada venda que fazem, no entanto, entregam aproximadamente 120 peixes que rendem R$ 120. Eles vendem regularmente para três lojas e João Luiz garante que se tivesse mais peixes, teria compradores garantidos.
VarejoUma vez por mês, participam da Feira do Produtor promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina na praça Sete de Setembro (no centro da cidade). Nessa ocasião, comercializam no varejo e obtém maior rentabilidade, graças à eliminação do atravessador. O produtor exemplifica que para as lojas, cada peixe da raça kinguio sai por R$1,00. Na feira, o mesmo peixe é vendido por R$ 2,00.
A partir de abril eles vão incrementar ainda mais as atividades no varejo com a abertura de um quiosque de vendas em um grande supermercado na Avenida Duque de Caxias, em Londrina. É uma forma de melhorar o rendimento, comentou.


