Ortigueira é um município que conta com uma das maiores concentrações de apicultores do Brasil, tornou-se um importante polo de produção devido à qualidade e à produtividade de mel. Ana Mozuski, apicultora e presidente da Associação dos Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), explica que o sucesso do município na produção de mel se deve à assistência técnica, à conquista do selo de rastreabilidade da produção e do empenho dos apicultores.
Com o apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vários produtores estão fazendo o curso de rastreabilidade. "Além disso, adotamos as boas práticas de produção no campo e também nas unidades de beneficiamento do mel", sublinha Ana. O próximo passo da associação é a conquista do selo do Sistema de Inspeção Federal (SIF). "Todos os documentos já foram encaminhados para o Ministério da Agricultura", comemora a presidente.
Junto ao seu marido, Leonides Kutz, a apicultora dá o exemplo para os demais 60 associados. Ao todo, eles possuem 2 mil caixas que chegam a produzir 60 toneladas de mel por ano, obedecendo a todas as regras de produção. O mel da propriedade é orgânico, ou seja, produzido em colmeias localizadas em áreas de mata nativa, ficando as abelhas longe de qualquer interferência humana. O acesso às colmeias é difícil, já que ficam no meio da Mata Atlântica, mas os produtores dizem que vale a pena porque o mercado valoriza esse tipo de produção.

Problemática
A falta de mão de obra e de espaço para a produção são alguns dos problemas enfrentados pelos apicultores de Ortigueira. "Em período de safra, temos que recrutar os índios que moram na região", lembra Ana. A presidente salienta que o município necessita de mais cursos de capacitação para os interessados em trabalhar no setor. Segundo Ana, já foi pedido um apoio da Secretaria de Agricultura para fomentar cursos aos produtores.
Recuperar o impacto ambiental ocasionado pela construção da Usina Hidrelétrica de Mauá, cujo reservatório ocupa uma área de 84 quilômetros quadrados entre os municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba, é outra dificuldade dos apicultores da região. Mesmo com a indenização de R$ 1,3 milhão pago ao município de Ortigueira, Ana revela que houve um comprometimento da flora, o que reduziu a oferta de alimentos às abelhas. Agora, segundo a presidente da Apomel, os produtores estão em busca de áreas cada vez mais distantes. Porém, ela destaca que esses novos lugares não possuem a mesma quantidade de flores que tinha a área ocupada pelo reservatório da usina. (R.M.)

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